Depois de umas legislativas repete-se o
cenário das europeias, todos ganharam excepto os portugueses.
Após um rol de conclusões retiradas dos resultados eleitorais pelos partidos, estes andaram e andaram e não chegaram à conclusão que salta mais à vista… os portugueses andam fartos de politiquices [não que estivesse á espera de outra coisa].
PCTP\MRPP
O partido não elegeu um deputado, porém conseguiu ultrapassar a barreira dos 50 mil votos, algo que o permite
receber subvenção estatal.
CDU

Para todos os efeitos a CDU “cresceu” […], e os CDUzenses não nos deixam esquecer isso… ficaram atrás do BE, mas cresceram … o CDS-PP também ficou-lhes à frente [e no goto], mas elegeram mais um deputado [15]… passaram a ser a quinta força política, mas retiraram a maioria a Sócrates… e… ah… cresceram… afinal, os resultados eleitorais foram um "
estimulante sinal" do crescimento da CDU.
BE
O Bloco teve não uma, mas 3 vitórias: a "vitória histórica" do número de votos; a “vitória histórica” de ultrapassar a CDU; a “vitória histórica” de derrotar a maioria absoluta do PS [
tirar-lhes a arrogância se preferirem].
Aparentemente, ficar atrás do CDS-PP
foi irrelevante [isto se deixarmos de parte a estupefacção, a irritação, e o sapo entalado na garganta] , uma insignificante nódoa no caminho ascendente da “verdadeira esquerda”.
A reconstrução do sistema de protecção social, a reforma das políticas de educação, e a implantação do imposto sobre as grandes fortunas, foram as prioridades estabelecidas por Louçã para que possa haver “diálogo” entre socialistas e bloquistas … peço desculpa… entre socialistas e socialistas esclarecidos.
CDS-PP

Paulo Portas
ganhou. Recupera a posição de terceira força política [de 2002], com mais votos e consequentemente mais deputados [21], reforçando o peso do partido na AR.
Claro está que uma outra vitória foi a de tirar a maioria absoluta ao PS [juntem-se ao clube…].
Agora, admirem-se. Portas não irá
coligar-se com o PS. Francisco Louçã pode descansar a sua cabeça, pois o PSócratismo não terá oportunidade de se tornar
suicida.
PS
Não querendo perder tempo, mal ganhou as legislativas, o secretário-geral do PS vira as atenções para as autárquicas, particularmente para
Costa, ao mesmo tempo que se concentra na estabilidade do seu governo:
Tradução:
“Vamos apostar na negociação parlamentar, não sacrificando as grandes bandeiras da governação socrática.”
Tradução da tradução:
“Esta coisa de não ter maioria absoluta é uma chatice.”
PSD
O PSD ganhou deputados [de 72 para 78], e também atingiu a vitória psicológica de retirar a maioria absoluta do PS. Não obstante, Ferreira Leite perdeu… aliás, não tardou muito para que fosse declarada aberta a época de caça à líder:
- Marco António defendeu que o PSD deve “fechar a página do Cavaquismo”;
- Mira Amaral diz que Manuela Ferreira Leite “está acabada politicamente”;
- António Nogueira Leite afirma que Ferreira Leite foi “
demitida” pelos portugueses;
- Passos Coelho põe a cabeça de fora, com o “arranque de um novo ciclo de esperança”[
1;
2] …
Enquanto estivermos no
frenesim autárquico a coisa vai manter-se calma com o apoio da líder aos autarcas[aqueles que não tenham “
medo”, digo eu].
Mas depois...
Abstenção
Pensar-se-ia que com uma abstenção de 39,4%, superior à de 2005 [34,98%] e de 2002 [37,66%], e com a manutenção dos níveis dos votos nulos e em branco [mais coisa menos coisa], os partidos prestariam mais atenção ao facto de que brincar aos políticos [como se tem vindo a fazer] não é exactamente bom para a democracia, no entanto julgando pelo aftermath eleitoral, diria que ainda não foi desta…