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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Fecham-se as legislativas

Os votos dos dois círculos eleitorais do estrangeiro já foram apurados.
O PSD elegeu 3 deputados e o PS 1.

Neste caso as taxas de abstenção é que são verdadeiramente “dignas” de registo. Algo como 77% na Europa e mais de 92% fora da Europa. Uma subida quando comparadas com os dados de 2005 em que na Europa a abstenção foi de 69,1% e fora da Europa foi de 81,7%.


Estes são os resultados possíveis num sistema em que os “erros de secretaria”, associados a uma ineficiência de processo e a uma falta de motivação crónica [com os cumprimentos dos nossos políticos] criam um monstro abstencionista pouco sustentável de um ponto de vista democrático.



Aproveitem-se as reacções mais sentidas [1] para alterar uma situação que já á muito deveria estar resolvida. Já que falamos em sistema eleitoral, poderíamos até não nos deixarmos ficar pelo sistema de votação…

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Vamos ao after



Depois de umas legislativas repete-se o cenário das europeias, todos ganharam excepto os portugueses.
Após um rol de conclusões retiradas dos resultados eleitorais pelos partidos, estes andaram e andaram e não chegaram à conclusão que salta mais à vista… os portugueses andam fartos de politiquices [não que estivesse á espera de outra coisa].




PCTP\MRPP

O partido não elegeu um deputado, porém conseguiu ultrapassar a barreira dos 50 mil votos, algo que o permite receber subvenção estatal.



CDU

Para todos os efeitos a CDU “cresceu” […], e os CDUzenses não nos deixam esquecer isso… ficaram atrás do BE, mas cresceram … o CDS-PP também ficou-lhes à frente [e no goto], mas elegeram mais um deputado [15]… passaram a ser a quinta força política, mas retiraram a maioria a Sócrates… e… ah… cresceram… afinal, os resultados eleitorais foram um "estimulante sinal" do crescimento da CDU.

Com o PS obrigado a cheirar apoios [aqui e ali] o PCP estabelece a linha de possível “apoio”, na fronteira com a direita.


BE


O Bloco teve não uma, mas 3 vitórias: a "vitória histórica" do número de votos; a “vitória histórica” de ultrapassar a CDU; a “vitória histórica” de derrotar a maioria absoluta do PS [tirar-lhes a arrogância se preferirem].

Aparentemente, ficar atrás do CDS-PP foi irrelevante [isto se deixarmos de parte a estupefacção, a irritação, e o sapo entalado na garganta] , uma insignificante nódoa no caminho ascendente da “verdadeira esquerda”.

A reconstrução do sistema de protecção social, a reforma das políticas de educação, e a implantação do imposto sobre as grandes fortunas, foram as prioridades estabelecidas por Louçã para que possa haver “diálogo” entre socialistas e bloquistas … peço desculpa… entre socialistas e socialistas esclarecidos.



CDS-PP



Paulo Portas ganhou. Recupera a posição de terceira força política [de 2002], com mais votos e consequentemente mais deputados [21], reforçando o peso do partido na AR.

Claro está que uma outra vitória foi a de tirar a maioria absoluta ao PS [juntem-se ao clube…].

Agora, admirem-se. Portas não irá coligar-se com o PS. Francisco Louçã pode descansar a sua cabeça, pois o PSócratismo não terá oportunidade de se tornar suicida.



PS



O PS ganhou. Mais votos… fica no governo… segundo Sócrates, “uma extraordinária vitória eleitoral"… … … pois… é realmente extraordinário o que a falta de alternativas pode fazer.



Não querendo perder tempo, mal ganhou as legislativas, o secretário-geral do PS vira as atenções para as autárquicas, particularmente para Costa, ao mesmo tempo que se concentra na estabilidade do seu governo:


Tradução:

“Vamos apostar na negociação parlamentar, não sacrificando as grandes bandeiras da governação socrática.”

Tradução da tradução:

“Esta coisa de não ter maioria absoluta é uma chatice.”



PSD



O PSD ganhou deputados [de 72 para 78], e também atingiu a vitória psicológica de retirar a maioria absoluta do PS. Não obstante, Ferreira Leite perdeu… aliás, não tardou muito para que fosse declarada aberta a época de caça à líder:

- Marco António defendeu que o PSD deve “fechar a página do Cavaquismo”;

- Mira Amaral diz que Manuela Ferreira Leite “está acabada politicamente”;

- António Nogueira Leite afirma que Ferreira Leite foi “demitida” pelos portugueses;

- Passos Coelho põe a cabeça de fora, com o “arranque de um novo ciclo de esperança”[1; 2] …

Enquanto estivermos no frenesim autárquico a coisa vai manter-se calma com o apoio da líder aos autarcas[aqueles que não tenham “medo”, digo eu].
Mas depois...


Abstenção



Pensar-se-ia que com uma abstenção de 39,4%, superior à de 2005 [34,98%] e de 2002 [37,66%], e com a manutenção dos níveis dos votos nulos e em branco [mais coisa menos coisa], os partidos prestariam mais atenção ao facto de que brincar aos políticos [como se tem vindo a fazer] não é exactamente bom para a democracia, no entanto julgando pelo aftermath eleitoral, diria que ainda não foi desta…

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Continua a pesar


António Preto e Helena Lopes da Costa [círculo de Lisboa\PSD], ambos arguidos em processos judiciais, continuam a pesar sobre Manuela Ferreira Leite.


Depois de em pleno antro doutrinário [entenda-se Universidade de verão do PSD], Alexandre Relvas ter optado por referir que quem ocupa um cargo político "deve de estar acima de qualquer suspeita"... Marques Mendes volta a bater no assunto da ética na vida política...


Tanta prudência com o programa eleitoral, em nome da Política de Verdade, e depois isto?

Em verdade te digo:

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Ponto de situação

Estão a aproximar-se as eleições e já se espera um verão politizado… sol, praia e política. Uma combinação letal para a vida política, como alguns de quando em vez fazem crer.

Façamos o ponto de situação:

BE

Anda entretido com as autárquicas, e com o drama existencial em relação ao caso Joana Amaral Dias.

PCP

Surpresa das surpresas… a banca está na mira dos comunistas… fica também registada a opinião do PCP acerca do programa eleitoral socialista: zero alterações à orientação política que vem sido seguida pelo actual governo.
PP

Depois da moção de censura para “português ver”, e da colagem ao primeiro-ministro da ideia do reinventar de personalidade para “português suave”, o CDS-PauloPortas aposta nos impostos.
Já propôs a redução de “12 para 5 % do IVA aplicado à restauração”, para antes do período de férias, de modo a relançar o ano turístico.
Fala sobre um “programa de governo claro" sobre impostos, propondo a descida de impostos [para famílias e empresas], quando a economia der sinais de retoma.
A par disto Portas tenta mantém a pressão sobre os socialistas, que acusa de fazerem promessas sociais que não vão cumprir.


PSD

O PSD de Leite mantém-se manso, guardando o seu programa eleitoral para depois [muito em linha com o que tem sido feito sob a direcção de Ferreira Leite]. Nos entretantos vai apontado que muitas promessas dão em nada [referindo-se ao PS]. Podemos ver isso nalgumas declarações de Manela, e nos mais recentes cartazes do PSD.


PS

Com a apresentação do seu programa eleitoral o palco agora é todo do PSócrates. Com mais ou menos controvérsia aqui e ali [ex: Porto], as listas do PS foram fechadas com os Sócratinos.
Seguindo o estilo da última campanha de promessas [e de governação com os anúncios disto e daquilo] o PSócrates inunda os portugueses com o que pretende fazer quando [e talvez se…] eleito.
Cá vai:
- Criação de um novo fundo [250 milhões de euros] para apoiar as PME’s nos mercados internacionais;
- A criação de 14 lojas de exportação no país;
- A criação do E.Exportar [o plano tecnológico para as PME’s no que toca o comércio electrónico.
- A aposta nas energias renováveis: até 2015, 50% dos veículos comprados pelo Estado serão eléctricos ou híbridos; até 2020, 750 mil dos veículos em circulação em Portugal que sejam movidos também com energia limpa [incentivos ao abate, etc.]; a duplicação da capacidade de produção de energia eléctrica até 2020 [aposta na energia eólica, solar, mini-hídrica, e geotérmica]; acabar com a comercialização de lâmpadas incandescentes de baixa eficiência energética, bem como tornar obrigatória a classificação energética mínima de B para os novos edifícios; lançar um programa de micro-geração em equipamentos públicos [escolas, centros de saúde, quartéis];
- Insistir… peço desculpa… continuar com a ideia de construção de um aeroporto em Alcochete [também modernização das infra-estruturas aeroportuárias actuais], e de construção da rede ferroviária de alta velocidade: Porto-Vigo, Lisboa-Madrid até 2013, e Lisboa-Porto até 2015 [isto tudo com a actual rede ferroviária a cair de podre];
- Apontar para a terceira travessia Chelas-Barreiro.
- Aumentar a quota de mercado do transporte ferroviário [20% para mercadorias e 10% para passageiros];
- A transformação dos portos nacionais na “porta atlântica da Europa” [mas que bonito!...], aumentando a carga transportada em 50%;
- Concluir a rede de auto-estradas [ligações a Bragança, Coimbra-Viseu, Sines-Beja];
- Resolver a situação dos 25 mil jovens desempregados que não têm acesso ao subsídio de desemprego [mais ou menos como criaram os empregos prometidos na última campanha];
- Fazer com que nenhum deficiente com incapacidade total para o trabalho tenha um rendimento inferior ao limiar de pobreza; - Eliminar obstáculos burocráticos ao dinamismo económico com o “licenciamento 0” [0 licenças prévias e mais fiscalização];
- A duplicação das creches com horário alargado;
- Incentivar a natalidade com um subsídio de 200 euros, depositados numa conta a prazo que só podem ser mexidos quando a criança atinja os 18 anos [ter um filho? 200 euros? 18 anos? Mas é que é já a seguir…];

"Quem se apresenta ao escrutínio popular, em primeiro lugar, tem de ter ideias e não ter vergonha delas; é preciso ter um programa e não ter vergonha dele; é preciso ter um plano e não ter vergonha dele" Sócrates

O que é preciso é ter vergonha de fazer promessas que não se cumpre, e de ser arrogante quando está à frente dos destinos do país.
Com tanta promessa impõe-se a pergunta. Onde estavam estes senhores nestes últimos anos de governação socialista?