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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Mariano não é gago quando deve (2)

Lê-se no Público de hoje:
"Mariano Gago garante que a crise está a passar ao lado dos estudantes do ensino superior"
Problemas? Nenhuns... já aqui, os problemas também eram inexistentes.
Na verdade, o título da notícia é a única coisa que me incomoda... recomendo:
"Realidade portuguesa passa ao lado do Governo"

terça-feira, 29 de julho de 2008

Quem diria

Um professor não aparece para um exame oral, numa faculdade de direito, deixando os alunos à espera...
Os alunos reclamam...

A TVI aparece...

Pela tarde do mesmo dia, são constituídos dois júris...

Os alunos fazem a oral...

Agora vejo o que faltou na minha faculdade...

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Sobre o Ensino Superior (3)


Um erro clássico dos alunos é pensar que a avaliação é feita de 0 a 20. Muitas são as faculdades em que a cotação é reduzida. Mais uma vez falo só do que conheço. O rigor na correcção está em alguns casos, sujeito a parâmetros no mínimo dos mínimos… discutíveis. Tive cadeiras em que 15 é um máximo a atingir…quinze?!?!? A estupidez inerente a este tipo de correcção é evidente. Que se indignem aqueles a quem lhes serve a carapuça, pois reafirmo… é uma estupidez. É suposto os alunos apresentarem o seu currículo e dizerem o quê? “Olhe, a minha média é esta, mas estudei na faculdade X e lá esta é uma boa média…” Es-tu-pi-dez. A utilização de cábulas é certamente reprovável [ou não], no entanto através da utilização destes “artifícios” são postos em evidência os critérios de correcção pouco rigorosos de alguns professores. Lembro-me de uma situação [que não é única] em que pelo menos 4 alunos puseram no seu exame a mesma coisa, obtendo cada um, notas diferentes.


Supúnhamos que o aluno considera que foi mal cotado. O que fazer? Pedir a reapreciação do exame seria o mais coerente. Supúnhamos que o aluno em questão consegue ultrapassar o medo de contrapor o julgamento inicial do professor [correndo o risco de ficar “marcado”]. Quando cheguei à faculdade a reapreciação de exame era um misto de mito e medo fantástico. Simplesmente não existia… De onde vem este medo? Por entre alunos que não querem agitar as águas e professores que no alto do seu poleiro se julgam infalíveis, é difícil apontar as origens, a não ser inserindo-o num contexto de circunstâncias. Mesmo assim cheguei a pedir reapreciação de exames, o que se provou uma tarefa difícil. Ninguém sabia bem o que fazer. Na secretaria reinava a incredulidade. “Como assim reapreciação?” [Perguntaram-me] O cumulo foi quando me questionaram sobre se o professor tinha autorizado a reapreciação. Autorizado? Mas, em que mundo paralelo me encontro agora? [Pensei eu] Podia escrever mais uns quantos parágrafos a contar as peripécias ridículas que passei eu e alguns colegas mais “rebeldes”, porém o importante é que um regime contencioso interno de reclamação de notas que funcione é essencial para a boa saúde do ensino superior e para a sanidade dos alunos.


Já com Bolonha espera-se que se resolvam muitos dos problemas que mencionei anteriormente. Será? Parece-me que pegar nos mesmos cursos e talhá-los de modo a que se encaixem nos critérios bolonheses não fará maravilhas. Se não alterarmos o espírito que rodeia o sistema, podem chamar a si as reformas que quiserem, pois o “mal” prevalecerá. No ISCSP por exemplo, a balbúrdia que se registou nesta “mudança”, reflecte bem o mau augúrio. Quem do modelo antigo, está agora a fazer mestrado [em Ciência Política], sofre ainda na pele as repercussões do trabalho apressado, mudança caótica, falta de competência e fraca preparação, por parte de quem de direito. O problema nisto tudo é que os senhores doutores vão continuar a ser pagos, o ISCSP manter-se-á de pé, os alunos é que se lixam…

Sobre o Ensino Superior (2)


Muitos foram os alunos que já tiveram aulas neste Instituto com professores que aparentemente não reconhecem a palavra pedagogia, como fazendo parte da língua portuguesa, isto porque se esqueceram que um professor é na verdade um professor (na verdadeira acepção da palavra). Não são todos, mas são os suficientes para criar problema. Devo relevar que este é um drama do ensino superior e não do meu Instituto. Seria espectável que um professor no ensino tivesse sido sujeito a provas pedagógicas antes de exercer, coisa que não acontece nunca. O modo como os professores chegam ao ensino superior diz muito sobre a qualidade do ensino. Neste caso falamos num acesso que não está sujeito a um concurso público. Os professores brotam das lealdades e conhecimentos, sujeitas sempre ao poder discricionário e controlador do momento. É verdade, a bela da Sr.ª cunha está em todas. O que vejo sinceramente é a proliferação do lambebotismo, da ineficácia, do fraco aproveitamento das possibilidades e da continuação de um desenvolvimento inerte. Paralelamente com uma maior democratização do acesso à docência, torna-se imperioso que se deixe pelo caminho a criação de pedestais destinados aos docentes, que alimentados pela opulência intelectual e pelo orgulho inchado, criam um distanciamento muito pouco produtivo [Desçam à terra, porque vive-se melhor cá em baixo]. Esta vivência não foge muito do sindroma do Sr. Doutor, muito comum em Portugal.


O exemplo dos “professores” que dão o nome às cadeiras e nem lá põem os pés, deve-se à existência de um poder discricionário indevido e pouco regulado, bem como a uma mentalidade de cerco, conservadora e auxiliada por uma rede de relações fechada e centrifuga. Mediante esta realidade poucos são os exemplos de inovações e de desenvolvimento concreto. Há coisas que são aceites simplesmente porque sim [aceites mesmo pelos alunos]. Dou o exemplo das produções dos nossos professores. Cada um tem um livrinho para que os alunos possam comprar de modo a que possam passar nas cadeiras [uma tese de doutoramento, de mestrado, etc.]. O que tem de mal? Em principio nada, não fosse esta uma maneira de condicionar a investigação e o conhecimento. Do ponto de vista do conhecimento, na medida em que ficamos condicionados a uma forma de ver as coisas [em ciências sociais e políticas é critico] e na investigação, pois esta torna-se balizada pelo seu objectivo último [que é vender aos alunos]. Numa das minhas cadeiras tive um professor que nos quis vender uma sebenta [essencial para passar a cadeira, segundo ele] de sua autoria, por 60 euros, que só estava à venda numa determinada livraria. Claro está que o Sr. professor teve o cuidado de nos advertir para o facto que fotocopiá-la era ilegal e que ele não iria admitir, caso encontrasse alguma cópia. Informação importante pois assim ele não receberia a sua percentagem [não se devia vender muito bem]. É de se notar que nesta cadeira não eram proporcionados slides ou outro material de apoio.


Felizmente para os discentes, esta tendência para a falta de materiais de apoio está a ser reduzida, no entanto persiste ainda a mentalidade do decora, decora, decora… põe, põe, põe… No sistema de ensino em que me insiro, a capacidade de memorização é incentivada e cultivada, mais do que qualquer outra, em detrimento da racionalização e operacionalização de conceitos. Erradamente pensei que me livrava disso no secundário, porém, fui outra vez embebido pela concepção de que não interessa como se usa o conhecimento, o que interessa é a quantidade de ideias que se consegue atafulhar lá para dentro. Tive algumas [muitas] cadeiras onde o importante era cuspir para o exame ipsis verbis aquilo que estava escrito nos livros. Estou a exagerar? Gostaria eu que estivesse. Simplesmente gravar as coisas na memória não nos prepara para o futuro. Você não sabe de cor os 20 items de cada um dos autores A, B, C, D, E, Y e Z., ou os 15 pontos da teoria geostacionária do não sei das quantas? BAHHHHH! Dos melhores exames que já tive [na minha opinião] foram os de consulta, onde os professores organizaram o exame de maneira a que com a informação disponível, pudéssemos providenciar explicações e interrelacionar os conceitos. Para minha surpresa foram estes mesmos [poucos] exames que causaram mais reclamações por parte dos alunos. Faltava-lhes o “guião”… Uma coisa é decorar, outra completamente diferente é compreender. Já para não falar que estes exames são mais difíceis de fazer e corrigir. O aluno não foi feito para pensar, preferimos criar um bando de copistas…


Voltando aos mestrados e doutoramentos, é de conhecimento geral que um dos piores pecados que se pode cometer é fazer uma tese sem que se mencionem nomes e trabalhos dos Iluminati da casa [um autentico sacrilégio, diria eu]. À boca pequena diz-se que convêm fazê-lo. Acontece que as pessoas têm medo de fazer uma tese sem uma referência destas, o que mostra bem o estado controlador da componente investigação. Ainda sobre o tema, já algumas vezes ouvi [nunca aconteceu comigo] falar sobre o aproveitamento da posição de autoridade de professor, para fazer com que os alunos façam as partes mais chatas das suas teses [não foi no ISCSP]. A título de exemplo conheço um caso em que um determinado professor, por não entender muito de inglês, faz com que os alunos traduzam os artigos científicos, como trabalho para casa. Vá lá que os temas dos artigos servem para as cadeiras, não obstante, esta é uma falta de consideração pelos alunos e um claro abuso da condição de professor. Conheço um outro caso em que foram entregues inquéritos aos alunos, para que estes os fizessem e distribuíssem, sob o pretexto de discutirem posteriormente as implicações dos resultados obtidos. A cereja no topo do bolo é que neste caso o professor nem se deu ao trabalho de “discutir os resultados” na aula. Não deve ter tido tempo…

Sobre o Ensino Superior (1)


Ainda há bem pouco tempo tive que pagar 949 euros de propinas. Se a memória não me falha, este é o máximo que se pode pagar de propinas. Paguei-as todas de uma vez, pois na minha faculdade nunca houveram multas relativas ao atraso de pagamento [situação que se não era única ao ISCSP, andava lá perto] e agora já as há. Não preciso de dizer a ninguém, que hoje em dia este montante pesa na bolsa de muitos portugueses [por entre os quais me incluo], assim sendo, é natural que eu gostasse de me sentir bem servido, coisa que infelizmente não acontece, e não por ser no ISCSP, dado que muitas das reclamações que eu tenho, vejo-as reflectidas em amigos meus que estão noutras faculdades. Serão os “mil euros” um exagero? Provavelmente não. É certo que para que uma boa formação exista é necessário dinheiro, logo, fazer com que os alunos efectuem um contributo monetário parece-me justo. O que me custa compreender é que, apesar dos mil euros, as universidades continuem a reboque de dinheiros públicos. Não foi há muito tempo que o Ministro das Finanças acusou os reitores de má gestão. Será que assim o é?


Nas universidades públicas até pagamos muito pouco, isto em comparação com o ensino privado, onde em casos por mim conhecidos paga-se bem, em tudo. Conheço um caso numa privada, onde para além do balúrdio mensal, paga-se o que se faz e o que não se faz, surpreendendo-me que não se pague para usar a casa de banho. Não obstante, mil euros não deixa de ser considerável tendo em conta a natureza pública do ensino que frequento. É possível que o modelo de gestão das universidades esteja desgastado e pouco adaptado às novas realidades. Parece-me pouco coerente que as reitorias tenham sob a sua alçada muitos dos aspectos de gestão das faculdades, o que exemplifica a típica tendência para a concentração de poderes. Penso que seria benéfico um modelo de gestão autónomo das faculdades pois este permitiria uma melhor adequação da gestão sobre aquilo que se pretende gerir, sem que fosse necessário para isso interferir no controlo a nível de universidade sobre a vertente curricular. Acusar os reitores de má gestão pode ser precipitado, especialmente se o problema se encontra no sistema em si. Se juntarmos a esta azafama a redução dos dinheiros públicos, a situação tenderá necessariamente a piorar, reflectindo-se indirectamente na qualidade do ensino.


No meu caso concreto não sinto que compense pagar o máximo exigido de propinas. Temos no ISCSP muito boas instalações, é verdade. Mas as instalações não são tudo. Temos duas salas de computadores [alguns da idade da pedra], uma delas com duas impressoras para imprimir trabalhos à borla [pagamos as folhas]. O acesso à Internet é gratuito [isto se conseguirmos arranjar lugar], o que inclui wireless [que nunca consegui pôr a funcionar no meu computador]. Mesmo algumas das coisas que a faculdade proporciona bem são mal aproveitadas. A título de exemplo foi necessário chegar ao quarto ano e por minha iniciativa perguntar, para saber que na minha biblioteca poderia aceder de borla a bases de dados pagas [com acesso a vários trabalhos \ teses \ estudos \ livros] que são uma clara mais valia no meio académico. Temos também algumas conferências de interesse [muitas pela acção activa dos núcleos de estudantes]. Resumindo, pago a propina máxima para ter aulas, fazer exames e ter acesso à Internet e à biblioteca, ou seja, o básico. Onde está o centro de estudos perguntam? Não existe. Onde está a participação em estudos, projectos, etc? Não existem. Onde está o incentivo à investigação? Não existe [mal que é português]. Onde está o laboratório designado a cada área? Não existe. Onde está a tutoria? Não existe [e não é por causa de Bolonha ainda não estar implementada, pois a tutoria está já á muito prevista nos estatutos da faculdade].


Não tenho nada disto, mas tenho uma bela mesa de snooker grátis, numa salinha toda bonita, com um sistema de som todo porreiro e duas mesas de matraquilhos, cortesia da AE.É pena que a prática destes jogos não me ajudam no currículo… paciência. Recordo-me quando o ISCSP fez 100 anos houve dinheiro para pôr, na parte de trás do Instituto, um cartaz comemorativo gigante, bem como uma calçada comemorativa na entrada toda bonita. Espectáculo. Será que posso pôr isso no meu currículo? Talvez não. Recordo-me também quando decidi perguntar a funcionários e docentes sobre ajudas à investigação ou a projectos. Escusado será dizer que me olharam como se fosse um extraterrestre. “ah… pois… sabe…” Pois sei… No caso de Ciência Politica no ISCSP, são tão poucas as condições que não posso deixar de me perguntar se as minhas propinas não estarão a financiar outras faculdades da minha universidade que têm melhores condições. Pergunto-me…
No meu curso tenho que admitir que tenho à frente das cadeiras alguns nomes sonantes pagos pela faculdade para lá leccionar [deputados, ex-governantes, por aí], só é pena que nas aulas propriamente ditas só conhecemos os assistentes deles, porque alguns nem se dignam a lá por os pés, outros aparecem uma vez por outra. Talvez fosse uma boa ideia começar a poupar por aí… Não dá aulas? Rua…

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Estou de luto pelo I.S.C.S.P.


Fui à minha faculdade no passado dia 13, para assistir a uma conferência que tinha como tema, “A melhor forma de governo”, isto no âmbito das jornadas de Ciência Política, organizadas pelo Núcleo de Ciência Política. Os oradores convidados foram o Prof. António Marques Bessa, o Prof. António Sousa Lara e o Prof. José Adelino Maltez, assim sendo, tudo apontava para uma boa discussão sobre o tema proposto.
A conferência começou e logo o clima se tornou pesado. Foi com tristeza que ouvi o Prof. José Adelino Maltez, iniciar a sua intervenção com o “anúncio” de que lhe havia sido retirada a sua liberdade académica. Maior foi a minha tristeza, pois vejo-lhe reconhecida a verdade das suas afirmações. Maior foi a minha tristeza, pois perante tal afirmação, a minha surpresa foi nula. Maior foi a minha tristeza, pois estava eu no I.S.C.S.P. Maior foi a minha tristeza, pois ainda estava em Portugal.


Tal brilhante pensador estava ali, à nossa frente, prestes a embrenhar num exercício de revolta, numa mostra de liberdade critica pré sancionada, num imperativo moral maior do que uma qualquer subjugação de interesses, parte de uma sublevação pró liberdade, verdadeiramente digna desse nome. Talvez porque “escrever é assumir o risco de viver, de estar sempre à beira de um abismo onde, muitas vezes, não existem corrimões nem as habituais redes protectoras que nos sustenham a queda, como é habitual neste país de meias tintas…” (6ª citação), este académico decidiu-se por nos ler um texto, composto por trinta citações. Texto este que importa referir, não é de agora, nem foi escrito para o propósito. Por ironia do destino, na conferência sobre “a melhor forma de governo”, aprendi o que significa, e em que resulta a “pior forma de governar”.


Estava claro o que ali se passava, este era um grito contra a repressão disfarçada de bonito. Numa realidade que se prova difícil de engolir e impossível de extrair, onde a verdade cai nos ouvidos surdos de quem não pode, não quer ou não lhe convem ver. “E agora tudo se disfarça com as mãos papudas do salamaleque de salão, com a cadeirinha de coiro preto, sacanamente posta para o tolo do gabiru julgar que o assassinato pode ser gratificante. E tudo sempre na solenidade ritual de gabinetes grandiosos, onde a luz esguia dos candelabros, o óleo frio dos quadros épicos e o retorcido das escrivaninhas, nos parece transportar para a delícia cultural dos livros de carneira cheios de bicho, cheirando ao mofo dos inquisidores da treta.” (10ª citação).



Oiço com ouvidos de ler, aquelas palavras, entusiasmado pelo sentido do conteúdo, mas ao mesmo tempo com medo… medo de que naquele microcosmo, estar a ver reflectido o meu Portugal. Um “regime de pequenos feudalismos em que se enreda o oportunismo lusitano, o longo prazo do combate por ideias nunca conseguirá ter qualquer espaço de comunicação com o frenesim do mediático” (14ª citação), até porque, “a rede de dependências e medos vai continuar enquanto não assumirmos que em situações pós-totalitárias e pós-autoritárias, mesmo depois de se eliminarem os aparelhos visíveis da repressão e da corrupção, permanecem os subsistemas de medo e de venalidade que os mesmos geraram” (12ª citação).


É nesta realidade onde se transmitem quereres e saberes, em que se ocultam desejos e inclinações, de onde se toldam futuras mentes e futuros agires, que se segue impunemente a fina arte da destruição do puro intelecto, despido de preconceitos ou de pré estabelecimentos do seu próprio devir. Assim acontece, “porque, aqui e agora, o dinheiro que compra o poder e a inteligência, o dinheiro que dobra as vontades, começa a tornar-se no valor predominante” (5ª citação). Aparentemente, neste tipo de realidades, “o chefe supremo tem sempre as mãos higienicamente desinfectadas, porque ele apenas é mais um desses honestos que, infelizmente, tem que gerir uma plebe de intermediários desonestos, desde a bufaria dos serviçais que esperam ser promovidos, à minoria dos jagunços violentistas, numa rede que só é eficaz se o vértice continuar a parecer o exacto contrário daquilo que o conjunto é, na realidade” (11ª citação).


Não pretendo fingir entender a complexidade do que realmente é. Apenas posso falar daquilo que experienciei, daquilo que vivi. Simplesmente revejo nestas palavras a expressão da minha própria revolta, contra o situacionismo que teima em se enraizar, nas mentes dos indivíduos e na aura social. Sem saber, foi com estas palavras em mente que eu lancei no ano passado, “O Encoberto”, um jornal na altura anónimo, de distribuição gratuita, que pretendia trazer à luz, tudo o que se sussurrava na escuridão dos corredores. A escolha pelo anonimato – por muito questionável que possa ser – serviu muitos propósitos, mas nunca aquele de caluniar ou injuriar impunemente, nem mesmo o de me livrar de represálias, mais ou menos previsíveis (até porque ainda sou aluno do I.S.C.S.P. e como tal, ainda estou desprotegido de qualquer “investida”). A quem lhe interesse confirmar, todas as edições d”O Encoberto”, estão disponíveis neste blog. Aquilo que tenho a dizer do I.S.C.S.P., já lá foi dito e de uma maneira ou de outra aquilo que lá foi dito, custa-me muito repetir.



Muito difícil de digerir, é a verdade de uma coisa que não existe, existindo. Muito difícil é provar o existir de uma coisa que não se vê, vendo. Mas porque, “de boas intenções está o inferno do pseudo-reformismo cheio” (23ª citação), acredito que o motor da revolta sentida, da indignação orientada, seja que “nós e aquilo que temos a ilusão de criar não passamos da poeira de um caminho que nossos vindouros hão-de calcorrear. Importa ter a humilde consciência deste dever. De sermos parcela da longa corda de transmissão de um sinal de sonho. E é nesta postura de serviço que conquistaremos a eternidade, mesmo que não o registem em nota de pé de página” (7ª citação).
Por isto e por muito mais… estou de luto pelo I.S.C.S.P..

terça-feira, 8 de abril de 2008

Mariano não é gago quando deve


Gostei de ouvir o ministro da Ciência e Ensino Superior afirmar que, “O número de profissionais que sai dos cursos superiores todos os anos para o mercado de trabalho, não chegam e são todos absorvidos pelo mercado”. Queria desde já agradecer ao Sr. ministro por me ter chamado à atenção, de que eu tenho amigos licenciados que são mentirosos. Mentem-me descaradamente ao dizerem-se desempregados quando afinal já trabalham… hoje em dia todo o cuidado é pouco…

O Sr. ministro acrescentou ainda que, “é verdade que muitas vezes, e muitos jovens naturalmente sentem isso, o primeiro emprego que têm… não é aquele que gostariam de ter”. Esta é uma maneira muito bonita de se dizer que a maior parte dos licenciados trabalham em tudo menos naquilo para o que se formaram, e para o qual aplicaram tempo, dinheiro e neurónios. Com certeza que haverá ainda muitos lugares disponíveis em call centers ou afins, que possam acomodar ainda mais licenciados. Quando essa oferta acabar, teremos disponíveis imensos trabalhos para a distribuir panfletos, jornais grátis ou a apanhar cerejas, mantendo os índices de desemprego a níveis aceitáveis.


Compreendo que para os nossos governantes não haja nenhum problema grave, quer porque nos estamos aproximar de eleições, quer porque para quem tem e arranja tachos, o seu futuro está garantido (numa ou noutra empresa que não vale a pena mencionar). Agora não é necessário gozar com aqueles que remam contra a maré. A verdade é que em Portugal não faltam trabalhos para os licenciados, faltam sim empregos adequados ao que os licenciados têm para oferecer. O Sr. ministro pertence a uma classe (profissional) que há muito se habituou a usar os dados como forma de justificar a sua posição, manipulando o teor dos mesmos de acordo com os que mais lhes convém, em detrimento da realidade. Agora isso não quer de maneira alguma dizer que os licenciados possam de boa consciência ter uma licenciatura só por tê-la.


A leviandade com que se fala na falta de empregos qualificados é estrondosa e não augura nada de bom. Se o objectivo é formar pessoas em determinadas áreas, de modo a que estas desempenhem funções numa outra completamente diferente, estamos a seguir num caminho contraproducente. Mais fácil seria aplicar as verbas e o tempo despendido em cursos de formação profissional internos deixando que primeiro os jovens arranjassem emprego e então depois se formassem. Tapar o sol com a peneira (como já vem sendo hábito deste e mais governos) não resolve o problema, e muito menos esconde os danos.