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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Quotas para que te quero

De acordo com um estudo, apesar da lei das quotas as candidatas não são colocadas em lugares elegíveis. Agora só lá vai com… quotas para a percepção dos lugares elegíveis por partido.

Depois quotas para deficientes, para “afroportugueses”, para idosos, para jovens, para licenciados, para não licenciados, para homossexuais, para sócios do Benfica, enfim para tudo.



Boa sorte com isso das quotas…

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Sobre o roubo

A comissão de Ética rejeitou analisar a conduta do deputado Ricardo Rodrigues. O PS, o PCP e o Bloco de Esquerda consideram que a comissão não tem competência para analisar a conduta dos deputados. Já o PSD e o CDS-PP pensam o contrário.
Esta decisão é perfeitamente natural, ou não estivesse a comissão ocupada a discutir o sexo dos anjos*.


Melhor, só o desplante do deputado:


Pede desculpa aos portugueses que não perceberam… o quê? O furto? Não está claro? E com um bom na técnica. Um truque de bolso impressionante.

Aparentemente o deputado tentou entregar os gravadores na PSP e na ERC e estes não aceitaram. A ER…? Não acredito… ninguém diria. Isto de ser cúmplice já não é o que era. Já a PSP devia tê-lo detido para averiguações:

“Como é? Tomou posse de uns gravadores? Pois, compreendo… Venha comigo, vou pô-lo num lugar com um especialista. Tomou posse de um camião cheio desses aparelhos.”


*Liberdade de expressão em Portugal

quarta-feira, 5 de maio de 2010

"A cruz de Medeiros" o filme

(carregar na imagem para ampliar)

Comentários da actriz princípal sobre o tema deste filme.

 


[Penso que é escusado dizer que este cartaz é falso, mas nunca fiando.] 

terça-feira, 4 de maio de 2010

Inês Medeiros deputada maravilha II



Depois das preocupações estéticas do CDS-PP com o Parlamento, Inês Medeiros esmera-se também na recuperação da imagem de deputada maravilha (do PS).
Medeiros abdica do pagamento das suas viagens:



A deputada fugiu à “proclamação populista”, algo que por outras palavras seria recusar o pagamento das viagens por uma questão de princípio… enfim. Muito melhor para a sua imagem pessoal será o subjugar dos seus princípios à conveniência partidária.

Tal como no caso do CDS-PP o problema aqui é estético... não convém à imagem do PS.


Partidocracia 1 - 0 Democracia

[Imagem retirada de Cellus]

domingo, 2 de maio de 2010

Estética do CDS, caso Medeiros

A solução de excepção para a deputada do PS, Inês Medeiros, criada pelo despacho de Jaime Gama não agradou ao CDS-PP. Afinal é preciso ter em conta a “imagem do parlamento” nesta época de crise…


… se não houvesse crise, bem… provavelmente a história seria outra. Nesse espírito, a alteração à lei que o CDS-PP propõe implica impedir pagamentos de deslocações a deputados que vivam no estrangeiro [excepto os deputados dos círculos da emigração].

Uma espécie de toque estético na imagem do parlamento… fazer algo como: deputado do círculo do Porto – Residência no Porto = a despesas adequadas a cada circulo… é muito complicado. Veja-se lá bem que assim a conveniência partidária [+ das direcções] não teria mãos tão largas para pôr aqui e ali quem lhes dá na real gana. Isso é que não pode ser. Com a proposta do CDS-PP só não lhes convém pôr em círculos nacionais pessoas que residam no estrangeiro. Muito melhor! Ganha a "imagem" do Parlamento...


[Imagem retirada da Máxima]

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Problema Medeiros resolvido

Apareceu o problema, transformou-se em “batata quente”, e surpresa das surpresas, Inês de Medeiros vai ter as viagens e demais despesas pagas pela AR tendo em conta a residência em Paris. Decisão de Jaime Gama, tem por base um parecer do auditor jurídico. O parecer aponta dois argumentos: o princípio da igualdade entre todos os deputados [parece-me bem… afinal se todos “fazem o mesmo”…]; o princípio constitucional [epa… constitucional, é coisa séria] de que os parlamentares devem dispor dos meios para cumprir as suas funções [?!].





Não obstante a deputada eleita por Lisboa, vê pagas as despesas para a sua residência em Paris. No sentido mais tradicional do termo, isto são tretas. O que a lei não determina, desemboca na discrição partidária, e nenhum deputado se incomoda com o assunto. Ninguém diria!

[Imagem retirada de fotografiasempre]

domingo, 18 de abril de 2010

Elevação no Parlamento

Ontem à noite José Sócrates visitou a iniciativa Peixe em Lisboa. A propósito, um jornalista perguntou-lhe se preferia comer peixe com ou sem espinhas.


Por falar em espinhas, Sócrates não estava tão espirituoso umas horas antes quando Louçã disse na AR:


Sem microfone, mas de forma perceptível Sócrates responde:

“Manso é a tua tia, pá!”

Louçã já veio dizer que para ele é “assunto encerrado”:


No entanto convenhamos que para quem vem para o parlamento dizer que o PM está “mais manso”, os padrões não estarão assim tão elevados…

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Libertinagem de expressão

As audições na Comissão de Ética sobre a liberdade de expressão continuam a produzir “lavagem de roupa.” A perspectiva de que se possa retirar alguma conclusão desta amálgama de depoimentos é só por si, hilariante.

Nas audições de ontem Santos Silva [na altura com a pasta na comunicação social] reafirma que nunca, como ministro, se pronunciou sobre o cancelamento do jornal.

Pais do Amaral [ex-presidente da Media Capital] apontou baterias para José Eduardo Moniz [que já desvalorizou] afirmando que "houve um período em que a TVI tomou um conjunto de decisões de que se desviaram da linha de isenção e credibilidade", e confirmou que a TVI foi usada como "plataforma para derrubar o Governo de Santana Lopes." Declaração que o próprio Santana Lopes considerou ser histórica, aproveitando para relembrar o movimento contra o seu governo e a altura em que um Presidente da República foi militante.



Mais acutilante Emídio Rangel [antigo director da SIC e da RTP] dispara uma rajada de acusações:

  • Aos juízes, que facultam aos jornalistas os documentos e violam o segredo de justiça;
"Nesta roda entraram há pouco tempo a Associação Sindical dos Juízes e o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público: obtêm processos para os jornalistas publicarem, trocam esses documentos nos cafés, às escâncaras".
  • Aos que envergonham o jornalismo como Manuela Moura Guedes, José Eduardo Moniz, José António Saraiva, José Manuel Fernandes, Francisco Pinto Balsemão;
"Em Portugal existe bom jornalismo e bons jornalistas, mas é cada vez maior o número dos que atropelam o código deontológico. Esta peste entrou em Portugal pela mão de Paulo Portas quando era director do Independente, que fez primeiras páginas sem respeito ou valor pela dignidade humana."

  •  Às agências de comunicação que "a maior parte delas plantam notícias, têm jornalistas por conta, compram jornalistas".

Rangel garante também que foi saneado politicamente da RTP. O presidente da RTP disse-lhe que era um bom profissional mas tinha que sair, assim sendo, haveria um acordo ou haveria um processo disciplinar. Rangel conta a José Miguel Júdice e este arranja um encontro com Morais Sarmento ["com quem tinha entendimento preferencial"… sublime!]. "Só temos 90 mil contos, não temos outra solução", foi o resultado desse encontro.

A Associação Sindical dos Juízes Portugueses já reagiu às declarações processando Rangel. Algo que não o atemorizou, visto que já reiterou as acusações.


Resta esperar para saber se o problema está na liberdade de expressão, na libertinagem de expressão ou em ambas. O que fica exposto sem dúvida alguma é o submundo de tricas políticas e jogos de poder que caracterizam o quotidiano político-social português.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Medeiros "batata quente"

Inês Medeiros continua com o problema das viagens por resolver, e compreensivelmente começa a perder a paciência:

Permita-me, sr. Presidente [da Assembleia da República], que estranhe que tenham sido necessários mais de cinco meses para que se tenha chegado à conclusão que era necessário um apoio jurídico para resolver o caso omisso que pelos vistos represento. Não posso transigir com mais esta demora. Sinto-me obrigada a reagir (…) Quando assumi funções, os serviços da Assembleia da República pediram-me informações sobre o meu local de residência e informaram-me que me seria dado um tratamento em conformidade com o Estatuto dos deputados. Nada pedi. Não solicitei qualquer tratamento de excepção, tendo mesmo assumido os custos das minhas deslocações até ao momento em que os serviços me contactaram dando instruções para deixar de o fazer. A partir desse momento segui estritamente essas mesmas orientações. (…) Tornei-me o alvo dos mais insidiosos ataques, não tendo qualquer possibilidade de me defender dado que em nada a resolução deste caso depende de mim. Consciente que, mais do que eu, é a instituição que é visada, só posso dirigir-me a V. Exa. Sr. Presidente, o seu mais alto representante, no sentido de solicitar o imediato esclarecimento e resolução desta situação que se arrasta há já demasiado tempo


O problema é que a AR anda com a “batata quente” de mão em mão, e ninguém quer tomar a dianteira na resolução do problema. Demasiadas atenções estão voltadas, e o PS não tem grande maioria. Numa altura de crise em que se apertam bolsas, assuntos desta natureza não são exactamente uma mais-valia. O que custa tanto admitir é que a deputada Inês Medeiros só está a pedir acesso ao filão dos “pequenos” milhares destinados a direitos semelhantes de ministros e outros deputados.

terça-feira, 16 de março de 2010

Inês Medeiros deputada maravilha


A deputada do PS, Inês Medeiros, anda com problemas na Assembleia. As facturas dos vários bilhetes de avião acumulam-se, e continuam à espera que alguém as vá pagar.

O problema é que Inês Medeiros eleita pelo circulo eleitoral de Lisboa. [nº 3 da lista] vive em Paris, e como não foi eleita pela Europa, não tem direito a uma viagem de avião de ida e volta [1ª classe / agora sem desdobramentos] com despesas de deslocação [e passaria a receber por dia uma ajuda de custo de 69€ ao invés dos 23,05€].

O Conselho de Administração da AR não quer decidir [só o PS é que quer pagar], e passou a bola aos líderes parlamentares.

Entretanto numa entrevista à Sábado:


A deputada eleita por Lisboa que vive em Paris, mas na altura deu como morada uma freguesia de Lisboa, agora quer o mesmo “tipo de atitude”. Pois com certeza. Mude-se para a tal freguesia em Lisboa. Problema resolvido.

Ainda na entrevista [nota: a foto mostra bem como correu a entrevista]:
  
O Primeiro-ministro sabia do negócio?
“Acredito que não sabia do detalhe do negócio. A doutora Manuela Ferreira Leite também diz que sabia do negócio…” [muito pertinente]

O PM mentiu ou não mentiu ao parlamento?
“Não sei dizer… não sei responder a isso… Olhe, não sei se mentiu ou se não mentiu, mas se mentiu nem acho que seja assim muito grave….”


Grave? O PM mentir na Assembleia? Que exagero… Inês Medeiros mais uma deputada maravilha.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Inquira-se


Audições e tal, acabamos por chegar à comissão de inquérito, uma solução mais centrada que não terá as dificuldades da demasiada abrangência revelada pelas audições na Comissão de Ética, onde já cabiam todos os muitos assuntos.

Justifica-se uma comissão de inquérito, até porque as recentes audições só serviram para manter o peso da suspeição. Assim, o PSD alia-se ao BE na proposta e teremos uma comissão, sem oposição do PCP ou do CDS-PP. O objectivo será o de deslindar se o governo teve ou não alguma intervenção na questão da intenção de compra da TVI, e se o PM mentiu ao parlamento quando disse que nada sabia.

Sobre este assunto resta esperar...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Cerrar fileiras

Primeiro a petição Todos pela liberdade [anti-sócrates].

Agora o Manifesto Pela democracia [pró-sócrates].

Não tarda nada e lanço uma petição, Pela Moralização da Vida Política
                                                                 [indiferente a Sócrates, anti-partidocracia do tipo corporativista]

Como postei um... agora posto o outro...

Pela democracia, nós tomamos partido


"Vivemos tempos que impõem uma tomada de posição. O que se está a passar em Portugal representa uma completa subversão do regime democrático. Os sinais avolumam-se diariamente e procuram criar as condições para impor ao país uma solução rejeitada nas urnas pelos portugueses.

Com base numa suposta preocupação com a «liberdade de expressão», que não está nem nunca esteve em causa, um conjunto de pessoas tem fomentado a prática de actos nada dignos, ao mesmo tempo que pulverizam direitos, liberdades e garantias. É preciso recordar: à Justiça o que é da Justiça, à Política o que é da Política.

Num País, como o nosso, em que os meios de comunicação social são livres e independentes, parte da imprensa desencadeou uma campanha brutal contra um Primeiro-Ministro eleito, violando a deontologia jornalística, as regras do equilíbrio democrático e as bases em que assenta um Estado de Direito, em particular o sistema de justiça. Reconhecemos, e verifica-se, uma campanha diária, sistemática e devidamente organizada, que corresponde a uma agenda política contrária ao PS e que se dissolve tacticamente na defesa de uma suposta liberdade cujos autores são os primeiros a desrespeitar.

Não aceitamos ser instrumentalizados por quem pretende que um Primeiro-Ministro seja constituído arguido nas páginas dos jornais, tal como já aconteceu noutras ocasiões num passado recente, alimentando um chocante julgamento popular que tem por base a violação dos direitos individuais e a construção de uma tese baseada em factos aleatórios, suspeições e vinganças pessoais.

Defendemos o interesse público e o sistema democrático para lá de qualquer agenda partidária. Os primeiros signatários são militantes do PS mas redigem este manifesto na qualidade de democratas sem reservas, abrindo-o a todos os portugueses que queiram associar-se a um repúdio público pelo que se está a passar. Recusamos esta progressiva degenerescência das regras do Estado de Direito e não aceitamos que se procure derrotar por meios nada lícitos um Governo eleito pelos portugueses, nem tão pouco que se procure substituir o sistema de Justiça por um sistema de julgamento mediático.
Pela democracia e pelo respeito da vontade popular, nós tomamos partido."

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Stand up comedy na Assembleia


Falava Afonso Candal [PS] no encerramento do debate na generalidade do OE 2010, e enquanto discorria sobre a obra do governo nos últimos 5 anos o discurso passou a um número de stand up [que surpresa]. Algures entre o país periférico e a necessidade da ligação de comboio ao centro da Europa para que as pessoas venham cá, Manuela Ferreira Leite não conteve o riso


Candal continua e decide mandar uma piadola a Ferreira Leite:
“Os dias que se aproximam serão de maior entusiasmo para vossa excelência”

E deverão ser… com 3 candidatos confirmados e um ainda a recolher assinaturas o maior entusiasmo é saber que não há dúvida que o PSD já não vai estar nas suas mãos. Esta é a Manuela mais leve.

Como Afonso Candal estava inspiradíssimo conseguiu arrancar ainda mais umas gargalhadas. Enquanto falava sobre o tema das energias renováveis, decidiu relevar o potencial do “Sol” [eh!eh!]… para Portugal.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Movimentações

Requerimento do PSD aprovado pela oposição trará à AR várias personalidades a audições na comissão de ética, sob o tema liberdade de expressão O PS votou contra pois tinha um problema com texto… acredito que sim… “dificuldade de convivência” do Governo com a “liberdade de imprensa e a liberdade de expressão”, deve causar sentimentos adversos na bancada socialista.



A coisa do Sócrates não fala para não “pactuar com o crime” torna-se o discurso do PSócratismo. Assis na mesma linha, acrescenta que “Nenhum primeiro ministro de nenhum país democrático aceitaria uma situação desta natureza: dar explicações sobre esse tipo de conversas.” Pois é. Só é pena que pelo andar da coisa, já está a ser posta em causa a justiça, perante os cidadãos, e Portugal perante a Europa. O clima de pressão que se vive por terras da comunicação social, denuncia a inaptidão do primeiro-ministro em conviver com o contraditório [quanto mais com um governo minoritário em democracia].

Temos partidos e políticos a aproveitarem-se da situação? Temos pois. Acontece que não foram esses partidos a criar a situação. Aproveitam-se tanto quanto o próprio PS já se aproveitou de outras situações no passado. Paulo Rangel por exemplo usou, e se me permitem, abusou levando o tema para o parlamento europeu.

“Portugal já não é um Estado de direito”.

Ao ser um euro deputado a trazer um problema nacional desta natureza ao parlamento europeu [e desta maneira], confere-lhe desde logo uma dimensão que não abona a favor de Portugal. Algo que já foi relevado pelos socialistas europeus. O que torna a atitude de Rangel pior é que esta tinha como objectivo um impacto na agenda política portuguesa. De todos os objectivos que poderiam motivá-lo [fragilizar o governo, ajudar o PSD,…], o euro deputado teve o condão de escolher o que menos justifica cravar mais um prego imagem portuguesa: avançar a sua carreira política, ou seja montar o palco para o retorno do herói das europeias, montado no seu melhor cavalo de combate para conquistar o PSD e o país. O candidato Rangel volta para “fazer oposição ao senhor Sócrates” .

Ainda parte do conflito interno do PSD, Aguiar-Branco [já candidato] rapidamente se demarcou da intervenção do seu companheiro no parlamento europeu, deixando para as audiências na comissão de ética o “escrutínio”.

Do lado do PS a “perseguição” da oposição de que tem sido “vitima” tem trazido ao de cima os melhores exemplos de eloquência do partido. Neste caso, Renato Sampaio [líder da distrital do Porto].


Enfim…

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Todos pela liberdade

Petição

Para:Presidente da Assembleia da República, Dr. Jaime Gama


O primeiro-ministro de Portugal tem sérias dificuldades em lidar com a diferença de opinião.
Esta dificuldade tem sido evidenciada ao longo dos últimos 5 anos, em sucessivos episódios, todos eles documentados. Desde o condicionamento das entrevistas que lhe são feitas, passando pelas interferências nas equipas editoriais de alguns órgãos de comunicação social, é para nós evidente que a actuação do primeiro-ministro tem colocado em causa o livre exercício das várias dimensões do direito fundamental à liberdade de expressão.

A recente publicação de despachos judiciais, proferidos no âmbito do processo Face Oculta, que transcrevem diversas escutas telefónicas implicando directamente o primeiro-ministro numa alegada estratégia de condicionamento da liberdade de imprensa em Portugal, dão uma nova e mais grave dimensão à actuação do primeiro-ministro.

É para nós claro que o primeiro-ministro não pode continuar a recusar-se a explicar a sua concreta intervenção em cada um dos sucessivos casos que o envolvem.

É para nós claro que o Presidente da República, a Assembleia da República e o poder judicial também não podem continuar a fingir que nada se passa.

É para nós claro que um Estado de Direito democrático não pode conviver com um primeiro-ministro que insiste em esconder-se e com órgãos de soberania que não assumem as suas competências.

É para nós claro que este silêncio generalizado constitui um evidente sinal de degradação da vida democrática, colocando em causa o regular funcionamento das instituições.

Assistimos com espanto e perplexidade a esse silêncio mas, respeitando os resultados eleitorais e a vontade expressa pelos portugueses nas últimas eleições legislativas, não nos conformamos. Da esquerda à direita rejeitamos a apatia e a inacção.

É a liberdade de expressão, acima de qualquer conflito partidário, que está em causa.

Apelamos, por tudo isto, aos órgãos de soberania para que cumpram os deveres constitucionais que lhes foram confiados e para que não hesitem, em nome de uma aparente estabilidade, na defesa intransigente da Liberdade.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Voyeurismo fiscal

Ontem 3 deputados do PS [todos vices da bancada] avançaram com uma “semi-proposta”, o levantamento parcial do sigilo fiscal. Parcial porque não contemplaria o imposto pago, nem as despesas reembolsáveis, mas o rendimento bruto de todos os cidadãos estaria disponível na internet. Uma medida preventiva…



Paulo Portas: “strip-tease fiscal


Francisco Louçã: “coscuvilhice fiscal



 
Porém Francisco Assis, líder da bancada parlamentar do PS, cortou as perninhas à meia proposta preventiva de voyeurismo fiscal na internet. Os três mosqueteiros continuam vices e o PS deixa cair a proposta.

Todos ficam felizes. Incluindo Portugal que não tem de lidar com a tal semi-proposta.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Palhaços na A.R.


A primeira audição da Comissão Parlamentar de Saúde, uma oportunidade para começar a discutir as matérias relativas à saúde, “trabalhando” as questões. Já em Portugal os deputados optam, como sempre, pela via das artes circenses, e em alguns casos com stand-up comedy à mistura.

Depois de uma intervenção de um deputado que incluía a menção a “comportamentos esquizofrénicos”, Maria José Nogueira Pinto, e Ricardo Gonçalves decidiram elevar o teor do debate:



Maria José Nogueira Pinto - “Eu há pouco estava a perguntar de onde é que saiu este palhaço, que é o senhor. E sabe porquê? Porque eu nunca tinha visto um palhaço permanente numa comissão parlamentar. Mas acho que devem-no ter eleito exactamente para isso, para nos animar. (…) O Sr. deputado tem estado a insultar toda a gente num regime de total impunidade.”

Ricardo Gonçalves - “A Sr.ª Dr.ª não domina esta área, veio de outra área. Veio de outro partido, está sempre a mudar de partido, nunca está em lado nenhum. Vende-se por qualquer preço para ser eleita por qualquer partido, e portanto faz estes papéis com muita facilidade. (…) Quem foi insultado fui eu. (…) como acha que pertence a uma classe superior (…) A Sr.ª que é da linha de Cascais, acha que pode dizer estas coisas. Isso é inadmissível.”



O nível foi tal, que Couto dos Santos [presidente da comissão] chegou a ameaçar suspender os trabalhos da comissão, isto quase a gritar tentando se sobrepor às vozes dos deputados.


Mais dois palhaços e uma palhaçada no Parlamento…

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Corrupção na mesa, AR na mesma


Passa na generalidade o projecto de lei do BE para acabar com a distinção entre corrupção por acto lícito e ilícito. O diploma do BE para a cativação das mais-valias urbanísticas ficou pelo caminho.


Já quanto ao enriquecimento ilícito e ao levantamento do sigilo bancário o BE solicitou um adiamento das votações, um para dia 10 [enriquecimento ilícito do BE e PCP] e outro para 11, porque… o BE quer dar “mais uma oportunidade ao PS” e para que se forme “uma maioria contra a corrupção”[sim... isso].


Lá pelo estratégico dia 10 também será o dia da proposta do PSD de uma comissão eventual para tratar a corrupção, medida que o PS já disse apoiar. Uma comissão que servirá para a recolha de contributos e a análise de medidas destinadas ao combate à corrupção. Aparentemente de acordo com o PSD essa comissão recolheu um amplo consenso. E estamos todos de parabéns. Portugal dará mais um meio passo, na luta contra a corrupção. A juntar ao meio passo do Conselho de Prevenção da Corrupção [o “grupo de estudo” praticamente desprovido de independência, que foi criado na última legislatura] , já lá vai um passo inteiro de enchimento de chouriços. Continue-se no bom caminho.


Bem melhor foi o debate quinzenal de hoje, subjugado ao tema políticas económicas:

- Sócrates anuncia 475 euros para o salário mínimo, anuncia o alargamento do prazo para as empresas com dívidas ao fisco, e chora sobre a aprovação do adiamento da entrada em vigor do código contributivo.

- PSD bate no pretenso eleitoralismo do PSócratismo, e nas acusações de espiolhagem política.

- Sócrates fala no salário mínimo, e na indignação contra a coscuvilhice e aproveitamento político.

- CDS-PP molha a colher no terramoto do desemprego.

- Sócrates fala no salário mínimo…

- BE rebate nas acusações de espiolhagem.

- Sócrates fala no salário mínimo…

- PCP fala no salário mínimo, nos lucros da banca e da energia.

- Sócrates responde dizendo que louvava o PCP por ter falado no salário mínimo.

- O PEV fala nas barragens.

- Sócrates decidiu então falar no salário mínimo.


Coisa para cá coisa para lá, até que o clima de “mau comportamento” crivado de bocas e boquinhas, e muito característico dos senhores deputados [e de muitas criancinhas mimadas], acaba por levar a melhor do primeiro-ministro. Perante as interrupções que vinham da bancada do CDS-PP por causa do BPN, Sócrates disse a Portas o seguinte:


Mediante este cenário Portas exaltou-se…


Folgo em poder registar neste primeiro debate quinzenal, que apesar das mudanças fica tudo na mesma. O comportamento dos deputados não melhorou, o primeiro-ministro continua arrogante e sem responder às perguntas, os partidos continuam a perseguir a sua agenda política ao invés de … sei lá… discutir os assuntos, e não limitar a politica a jogos de bastidores.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Começam-se a cavar trincheiras


Já se passa algo, e não… não é o cortejo de carros ministeriais para trás e para a frente.

O Primeiro-ministro anda a engonhar… vai e tal, mexe remexe… ganhar um tempinho extra, etc. A tomada de posse estará para breve e pelo menos até dez dias depois vem o programa de governo.


A acção porém está na Assembleia da República. Os partidos começam a posicionar-se estrategicamente, fazendo valer a sua força relativa num parlamento de poder disperso, e com a maioria absoluta PSócratista no goto.


PS encostado à parede na educação:

A oposição em peso pede a suspensão do modelo de avaliação dos professores, um dos temas fortes da campanha eleitoral. Aproveitando o momento, os blogues colectivos de professores fazem pressão, “não podemos esperar mais”.

O PEV foi o primeiro a falar no tema, relembrando o momento de campanha em que Sócrates “o humilde arrependido” admitiu não ter havido diálogo suficiente com os professores.

O PSD já se encontrou com a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação, e com Federação Nacional dos Professores.


O CDS-PP concentra-se na agricultura com uma proposta de criação de uma comissão da Agricultura, e na segurança com a recuperação de propostas que haviam sido recusadas pela ex-maioria absoluta [a típica oferta deste partido para a segurança, mais pena, mais lixada, mais vigilância…].

O BE insiste no casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O PSD encabeça a luta contra o dispositivo electrónico de matrícula nos veículos automóveis, procurando a revogação com eficácia retroactiva.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

AR em funcionamento...



A Assembleia da República teve hoje a primeira reunião plenária da XI Legislatura.


Desta reunião destaca-se a reeleição de Jaime Gama [discurso de Gama] como Presidente da AR, com 204 votos sim, 24 votos em branco, de um total de 230 deputados. Nada que não se estivesse à espera, dado que a proposta de recondução de Gama tinha como subscritores deputados do PS e PSD, e foi apoiada por CDS-PP, BE e PCP.



No decorrer desta reunião fomos também presenteados com o pedido de suspensão de mandato por parte do deputado do PSD, António Preto [até que o “caso da mala” se resolva (falsificação de documento e fraude fiscal)], e com o deputado relâmpago do PSD João de Deus Pinheiro . Alegando “motivos pessoais” o cabeça de lista do PSD por Braga acabou por ser deputado apenas por 30 minutos [Pedro Rodrigues, Presidente da JSD vai substituí-lo]. Nada mau…


Com um parlamento pautado por uma relação de forças mais dinâmica, que advém da maior dispersão do número de deputados pelas forças políticas [PS – 97, PSD – 81, CDS-PP – 21, BE – 16, e CDU – 15], da direita à esquerda falou-se no reforço do parlamento no cenário político português. Isto sem deixarem, os partidos da oposição, de dar uma achega na perda de maioria absoluta por parte do PS…


Veremos agora uma AR a braços com o Orçamento de Estado, com a revisão constitucional, com os investimentos públicos, e com uma relação de forças que determinará a direcção a seguir de todas as questões [tais como: Uniões de facto; Casamento gay; Educação;etc].


No canto do PS, Francisco Assis [candidato a líder parlamentar do PS] avisa “que a nova situação de minoria relativa exige que "nenhum partido se feche na arrogância e no dogmatismo", nem mesmo o da maioria. "Isso exige-se ao partido da maioria, mas também a todos os outros partidos".

Hum… “partido que se feche na arrogância e no dogmatismo”… isso faz-me lembrar qualquer coisa que tem a haver com a última legislatura… não me lembro….


Numa nota mais ligeira. O que fariam vocês se tivessem acabado de contratar um funcionário e no primeiro dia de trabalho ele já estivesse assim:



Enfim…