sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Corrupção na mesa, AR na mesma


Passa na generalidade o projecto de lei do BE para acabar com a distinção entre corrupção por acto lícito e ilícito. O diploma do BE para a cativação das mais-valias urbanísticas ficou pelo caminho.


Já quanto ao enriquecimento ilícito e ao levantamento do sigilo bancário o BE solicitou um adiamento das votações, um para dia 10 [enriquecimento ilícito do BE e PCP] e outro para 11, porque… o BE quer dar “mais uma oportunidade ao PS” e para que se forme “uma maioria contra a corrupção”[sim... isso].


Lá pelo estratégico dia 10 também será o dia da proposta do PSD de uma comissão eventual para tratar a corrupção, medida que o PS já disse apoiar. Uma comissão que servirá para a recolha de contributos e a análise de medidas destinadas ao combate à corrupção. Aparentemente de acordo com o PSD essa comissão recolheu um amplo consenso. E estamos todos de parabéns. Portugal dará mais um meio passo, na luta contra a corrupção. A juntar ao meio passo do Conselho de Prevenção da Corrupção [o “grupo de estudo” praticamente desprovido de independência, que foi criado na última legislatura] , já lá vai um passo inteiro de enchimento de chouriços. Continue-se no bom caminho.


Bem melhor foi o debate quinzenal de hoje, subjugado ao tema políticas económicas:

- Sócrates anuncia 475 euros para o salário mínimo, anuncia o alargamento do prazo para as empresas com dívidas ao fisco, e chora sobre a aprovação do adiamento da entrada em vigor do código contributivo.

- PSD bate no pretenso eleitoralismo do PSócratismo, e nas acusações de espiolhagem política.

- Sócrates fala no salário mínimo, e na indignação contra a coscuvilhice e aproveitamento político.

- CDS-PP molha a colher no terramoto do desemprego.

- Sócrates fala no salário mínimo…

- BE rebate nas acusações de espiolhagem.

- Sócrates fala no salário mínimo…

- PCP fala no salário mínimo, nos lucros da banca e da energia.

- Sócrates responde dizendo que louvava o PCP por ter falado no salário mínimo.

- O PEV fala nas barragens.

- Sócrates decidiu então falar no salário mínimo.


Coisa para cá coisa para lá, até que o clima de “mau comportamento” crivado de bocas e boquinhas, e muito característico dos senhores deputados [e de muitas criancinhas mimadas], acaba por levar a melhor do primeiro-ministro. Perante as interrupções que vinham da bancada do CDS-PP por causa do BPN, Sócrates disse a Portas o seguinte:


Mediante este cenário Portas exaltou-se…


Folgo em poder registar neste primeiro debate quinzenal, que apesar das mudanças fica tudo na mesma. O comportamento dos deputados não melhorou, o primeiro-ministro continua arrogante e sem responder às perguntas, os partidos continuam a perseguir a sua agenda política ao invés de … sei lá… discutir os assuntos, e não limitar a politica a jogos de bastidores.

1 comentário:

Carlos Miguel Sousa disse...

Concordo com o aumento de 25€, no SMN, porque entendo que um dos caminhos para a saida desta crise global passa exactamente pelo achatamento dos leques salariais, de baixo para cima, e tambem de cima para baixo, especialmente na area financeira. Ao aumentar o nivel de rendimento de milhares de consumidores, que na esmagadora maioria dos casos CONSOMEM a totalidade do rendimento que usufruem, estimula-se o crescimento económico através do aumento do consumo. Este é o primeiro passo e o mais fácil de concretizar, o segundo é estimular os pequenos e médios investidores, mas esses não são tão facéis de convencer.. quanto ao IMPEDIMENTO DO AUMENTO DE IMPOSTOS votado pela maioria dos parlamentares, só posso estar de acordo, pois a grande maioria das medidas agora adiadas é contraproducente para a economia, sendo o unico beneficiário as contas publicas, mas estas terão que se reequilibrar necessarimente pela redução na despesa e não pelo aumento da receita sob pena de se ultrapassar o ponto de não retorno e as empresas começarem a falir em massa, o que de resto estás prestes a acontecer.