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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sobre os chumbos



Agora que pela mão da ministra, Isabel Alçada, voltamos a falar do valor pedagógico da reprovação [PSD, CDS-PP, PCP] importa lembrar que embora não seja necessário inventar o que já existe, a tentativa de um copy paste à la nórdica chocaria com a realidade da educação portuguesa. Isto já para não falar que a fórmula do chumbo só por si não têm nada de pouco pedagógico, desde que os casos sejam sujeitos ao acompanhamento devido. Menos pedagógico [e muito menos justo] será deixar que um aluno, que por qualquer razão não tenha atingido as metas de aprendizagem, transite de ano aumentando cada vez mais a lacuna de conhecimentos entre colegas e a própria matéria. Claro está que tudo isto é conversa se não houver um acompanhamento efectivo e proporcional.


De pouca monta será também o argumento pecuniário dado que devemos estar atentos ao preço por aluno e à redução dos custos, mas não podemos pôr um preço na educação desse mesmo aluno. Até porque 600 milhões de euros na educação batem de longe outros gastos que se vêem por aí. Este será até um caso em que um maior investimento preventivo no aluno provocará uma redução dos factores que levam à maior despesa, eliminando desta forma tal argumento.

Dos chumbos ninguém gosta. Só que o verdadeiro problema não é eles existirem, é eles acontecerem. Antes de dar um salto maior que as pernas, percamos mais tempo a considerar indicadores como as médias negativas dos exames nacionais, e menos tempo a olhar para indicadores que sofreram numa ou noutra altura  processos de cosmética, potenciais geradores do novo adulto português qualificado e incompetente. Embora seja reconhecidamente uma característica da governação PSócratista, nisto não basta parecer, é mesmo preciso ser.

 
[Imagem retirada de AirGun.com.br]

terça-feira, 18 de maio de 2010

Preocupações na educação


Bruna Real, de 27 anos, responsável pelas actividades extracurriculares na escola básica de Torre Dona Chama, foi afastada das suas funções pela Câmara Municipal de Mirandela porque pousou nua na “Playboy”. A professora passa a trabalhar no arquivo municipal da autarquia.

“365 Piadas Novas”, um livro da editora Civilização para crianças, continha uma anedota que criou algum desagrado por entre professores.
Foi retirada pela editora.

Então…:
- Bullying nas escolas;
- Alunos que chegam ao ensino superior muito pouco preparados;
- Mentalidade da memorização a perdurar;
- “Novos estilos” de facilitismo com um ensino “divertido” a todo o custo, e um ensino onde o aluno passa na “secretaria” a quererem vingar;
- Indisciplina a crescer por falta de autoridade dos professores, uns porque não lhes são dadas condições para tal, e outros porque não sabem e/ou nunca aprenderam a adquiri-la [a autoridade numa sala de aula não se tem, ganha-se].

...e a preocupação de alguns é com a professora que foi nua para a “Playboy” e com a anedota da vaca no livro de crianças.

Pois é… Censurem antes a estupidez e será meio caminho andado.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

2657609ª Lição


Nem sei que comentários fazer perante tais declarações, aliás, duvido inclusivamente que a Sra. Ministra da (Des)educação saiba o que significa “disponibilidade”, “manifestação com 120.000 pessoas” ou “desmotivação”. Mas, não seja por isso, passo a explicar
- Disponibilidade - pressupõe boa vontade, voluntarismo. O que não é propriamente o caso pois os professores, neste momento, se ficam na escola mais horas é porque são obrigados.
- Manifestação com 120.000 pessoas – algo está muito errado pois, caso contrário, não vinham tantos professores “passear” da Praça do Comércio ao Marques de Pombal a passo de procissão, num dia em que estavam 12ºC, a gritarem frases de indignação.
- Desmotivação – neste caso particular a palavra que a dita cuja deveria ter proferido seria “revolta” ou “descontentamento”. Todos os professores continuam com a mesma motivação de fazer com que os seus alunos cheguem ao fim do ano lectivo com os objectivos cumpridos .