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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Crise na cabeça do governo

Com o OE 2010 ainda em discussão, e com o passar do tempo revela-se cada vez mais a inaptidão do governo PSocratista para governar em minoria, bem como a transição completa do PS para PSócrates. A revolta das finanças regionais ressurge [vamos lá ver se nas finanças locais não acontecerá o mesmo], com resquícios das lutas de 2007 contra o absolutismo PSócratista, com pressões vindas da Madeira, alimentada pelo cheirinho de vingança partidária de uns e incapacidade governativa de outros.


Na antecipação do drama [mais um…] finanças regionais e passado que estava a questão da “validação” do OE 2010 pela oposição, iniciaram-se as negociações. O PS mantém uma intransigência constante, e o CDS-PP ressalta do processo [mais uma vez] com uma nota muito positiva. Na sua última movimentação negocial o PS propõe um adiamento, apoiando a imperiosidade do mesmo na sua interpretação do resultado do Conselho de Estado [1;2] O que não deixa de ser engraçado. O adiamento é chumbado, e acaba por ser aprovado por toda a oposição um limite de endividamento para as regiões autónomas em 50 milhões para 2010, limite esse que pode ou não ser usado. Os Açores, por exemplo, já disseram que não o vão utilizar, aliás, César vai inclusivamente requerer a inconstitucionalidade do novo diploma. Uma proposta do CDS-PP que mesmo assim está muito longe da inicial proposta do PSD, espera agora a aprovação na AR.

Para todos os efeitos, Portugal tem a sua credibilidade externa afectada, algo exponenciado pelas infelizes declarações de Almunia [Comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários], pela evolução dos juros da divida pública portuguesa, e pela descida abrupta da bolsa portuguesa.
A brilhante solução do governo PSócratista é juntar à mistura largas doses de instabilidade política. Vultos de possíveis demissões ministeriais, reuniões urgentes de última hora com lideres partidários na casa oficial do PM , a governabilidade posta em causa por um ministro ... no fundo nada de mais. Isto se tivermos em conta que o próprio ministro das finanças depois de uma tentativa de acalmar a situação portuguesa [à tarde], vem agitar ainda mais as águas [à noite] numa tentativa quase desesperada para encostar a oposição à parede, forçando desta forma o chumbo. A intervenção de Teixeira dos Santos até foi simples: O drama; Madeira; o caos orçamental; Madeira; um esforço orçamental perdido num aumento do endividamento; Madeira; tudo isto se a oposição aprovar esta lei.

Quem o ouviu até poderia pensar que o “continente” está a dar dinheiro à Madeira, que não dá nada aos Açores, e que o dinheiro que está em discussão põe em causa ou é sequer relevante para o OE 2010. Poderia pensar isso, mas estaria errado...

Amanhã continuará com certeza a crise artificial criada pelo governo PSócratista, num autêntico nevoeiro político propagandístico que visa o desfocar da atenção pública. Para além do mais, está agora preparada a brecha que justificará possíveis actuações do governo para conter o défice, consideradas negativas pela opinião pública. Afinal… a madeira levou o dinheiro todo… não é? O problema não foi nosso…

Veremos também se todo o drama existencial do governo verterá ou não para a discussão do OE 2010 na especialidade.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Voyeurismo fiscal

Ontem 3 deputados do PS [todos vices da bancada] avançaram com uma “semi-proposta”, o levantamento parcial do sigilo fiscal. Parcial porque não contemplaria o imposto pago, nem as despesas reembolsáveis, mas o rendimento bruto de todos os cidadãos estaria disponível na internet. Uma medida preventiva…



Paulo Portas: “strip-tease fiscal


Francisco Louçã: “coscuvilhice fiscal



 
Porém Francisco Assis, líder da bancada parlamentar do PS, cortou as perninhas à meia proposta preventiva de voyeurismo fiscal na internet. Os três mosqueteiros continuam vices e o PS deixa cair a proposta.

Todos ficam felizes. Incluindo Portugal que não tem de lidar com a tal semi-proposta.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

OE 2010


Passado que está um período negocial em que todos desempenharam o seu papelito, o OE tem viabilização assegurada. Com mais ou menos negociações e acordos, jeitos ou cedências, a tendência dos últimos 9 governos minoritários que viram sempre os seus orçamentos aprovados mantém-se com a abstenção da direita. Bem podem agora o BE, PCP e afins votar contra que o OE passa.

Como já seria de esperar este foi o orçamento possível, o do tem que ser. Tal como nos outros exemplos minoritários, também este OE passa sob uma aura de tentativa de chantagem [pressão, vá lá] de uns, e impulsionado pelo “interesse nacional” de outros.

O CDS-PP [até agora o parceiro quase natural dos governos minoritários] liderou o processo negocial e viabiliza o orçamento com a “abstenção construtiva”, apoiado numa “postura patriótica” e [lá está] no “interesse nacional”. Não sem deixar de manter “tudo em aberto” para a discussão na especialidade.

O PSD que começou tímido e teve a actuação da líder a ser sujeita a ataques internos vindos da ala Passos Coelho. Um mini acordo e uma abstenção do PSD sela o destino do OE 2010, sendo que no caso deste partido a abstenção é muito Ferreira Leite, é uma de “sentido de Estado”.

O PCP votará contra o orçamento de direita, o PEV faz o que o PCP manda, e o BE aponta também para o contra, até porque Louçã já veio caracterizar as negociações à direita como “manigância” [Infrm.Manha ou arte com que se fazem habilidades de mão\ Fig.Manobras ocultas com que se fazem bons negócios.]. Claro que se fosse um orçamento “à esquerda”, já seriam acordos no interesse de Portugal e não a tal manigância… enfim.

 Telenovelas políticas à parte o governo aponta reduzir o défice orçamental em 1%, para 8,3% […sim 9,3%], isto tudo sem aumento de impostos [ainda]. A dívida pública assenta confortavelmente nos 85,4 % do PIB, o crescimento é abaixo da média europeia, o desemprego ainda não estabilizou, e a culpa ainda é só da crise internacional [snif]. Umas medidas publicitárias para a banca, o retomar do plano de privatizações, o arrefecer do investimento público, e [ops] o congelamento dos salários para os funcionários públicos. E com a dívida portuguesa a ficar mais cara, fica provado que existe algo permeável à propaganda PSócratista… veja-se bem… inimaginável [ou não].


Surpresa!… aqui tens, o mesmo de sempre com uma cereja em cima...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Uns devem...

Mais 4600 novos nomes numa lista de devedores à Direcção-Geral dos Impostos que já vai a mais de 22 mil pessoas e empresas [14255 singulares; 8096 colectivas]. Isto numa lista que começou com 13 mil nomes.


Então e a lista de credores? A mesma que da última vez que lhe pus os olhos em cima tinha o nome de três… sim, 3 empresas, que se inscreveram num sistema em que o Estado finge estar atento ao problema.