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sábado, 25 de setembro de 2010

Manipulação? Propaganda?

Esta semana falou-se da situação Diário de Notícias e Jornal da Madeira na comissão parlamentar de ética, e como era de se esperar duras críticas foram feitas a Alberto João Jardim.

O Jornal da Madeira [… jornal do governo regional… Madeira Livre II … tanto faz] é na prática o equivalente a um instrumento do ministério da propaganda de Alberto João Jardim. Gratuito [isto é, pago pelo erário público…] e 100% laranja da madeira [há diferença!], este jornal é o mais triste exemplo tendência manipuladora do governo de Jardim, que não se fica pela imprensa escrita [ou sequer pela imprensa]. Dos artigos de opinião às notícias, tudo tresanda a propaganda, e mais uma vez… paga pelo erário público.

O PSD-M bloqueia as discussões sobre a situação da imprensa no parlamento regional. O governo hiper-financia o dito jornal, o governo manda nos conteúdos produzidos. O governo reduz a publicidade oficial quase a zero no DN em benefício do JN, e surgem acusações do uso de métodos ainda mais “reprováveis” para reduzir a publicidade no DN. O DN [anti-jardim] é encostado à parede, o pluralismo vai à fava, e a liberdade de imprensa sangra. Tudo isto com o beneplácito dos sucessivos governos, deputados, partidos e afins.

E agora um momento lúdico… tentar encontrar o querido líder do governo regional nas primeiras páginas do Jornal da Madeira dos últimos oito dias.









Para terminar nada melhor do que o “lema”… ou talvez ameaça… do Jornal da Madeira:

Se quer viver informado, leia o Jornal da Madeira. Se quer conflitos inúteis, leia e ouça outros.”

...Sublime...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Casamento cresceu

O Presidente da República acabou por promulgar mesmo o diploma que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Foi claramente contra as suas convicções pessoais, algo que ainda dá mais força à decisão de Cavaco, enquanto decisão “presidencial”. A meu ver só é pena que Cavaco deu a entender que fê-lo por causa da situação do país. Caso contrário teria enviado o diploma de volta ao parlamento.

Sendo a favor do casamento homossexual, compreendo a posição de quem é contra. Têm os seus argumentos… os valores, a família, enfim… não concordo, mas compreendo. Agora, não deixa de me parecer hipocrisia aqueles [como Cavaco] que dizem que concordam com o direito mas querem que se lhe dê outro nome. União Civil Registada por exemplo.



[Imagem retirada do O Indesmentível]

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Quotas para que te quero

De acordo com um estudo, apesar da lei das quotas as candidatas não são colocadas em lugares elegíveis. Agora só lá vai com… quotas para a percepção dos lugares elegíveis por partido.

Depois quotas para deficientes, para “afroportugueses”, para idosos, para jovens, para licenciados, para não licenciados, para homossexuais, para sócios do Benfica, enfim para tudo.



Boa sorte com isso das quotas…

domingo, 16 de maio de 2010

DN Madeira sob fogo

Jardim conseguiu avançar mais um passo para o expurgar do Diário de Notícias, que em grande parte é anti-Jardim.

O director, Luís Calisto, demitiu-se do cargo apontando como razão o "emergente do regime de excepção criado à comunicação social madeirense" por Jardim. Por outras palavras o presidente do governo regional anda a espremer o DN através do Jornal da Madeira. Fazer bullying com a imprensa, usar os actos públicos para intimidar os empresários que anunciavam no DN, reduzir a publicidade oficial a quase zeros, dar ordens às instituições públicas dependentes do governo regional para cancelarem as assinaturas, e hiper-financiar o JN, estão entre as acusações dirigidas a Jardim.


Com excepção para intimidar empresários, nada que não estivesse à vista. Não admira que o Sr. Jardim tenha como exemplos de inutilidade a apagar “a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, a Comissão Nacional de Eleições e o Tribunal Constitucional”. Entidades que não interessam nada para que age desta maneira.



[Imagem retirada de t12]

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Tutano de Ricardo Rodrigues


Ricardo Rodrigues deputado do PS foi atacado…


…com perguntas, numa entrevista que acordou fazer. Sim perguntas violentas… Assim a bem dizer, “violência psicológica” é saber que temos um deputado ladrão* que considera que roubar é “tomar posse”.

Pior é termos um líder parlamentar que tenta “justificar” tal enormidade com:

Como se não bastasse, o deputado ainda interpôs uma providência cautelar, com vista a suspender a divulgação do vídeo.

Viva a democracia, a liberdade de expressão, etc.

 



* ladrão (www.priberam.pt)1. Que ou quem rouba ou furta. = GATUNO, ROUBADOR. 2. Que ou quem revela desonestidade ou procede de má-fé. | As imagens não deixam margem para dúvida.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Libertinagem de expressão

As audições na Comissão de Ética sobre a liberdade de expressão continuam a produzir “lavagem de roupa.” A perspectiva de que se possa retirar alguma conclusão desta amálgama de depoimentos é só por si, hilariante.

Nas audições de ontem Santos Silva [na altura com a pasta na comunicação social] reafirma que nunca, como ministro, se pronunciou sobre o cancelamento do jornal.

Pais do Amaral [ex-presidente da Media Capital] apontou baterias para José Eduardo Moniz [que já desvalorizou] afirmando que "houve um período em que a TVI tomou um conjunto de decisões de que se desviaram da linha de isenção e credibilidade", e confirmou que a TVI foi usada como "plataforma para derrubar o Governo de Santana Lopes." Declaração que o próprio Santana Lopes considerou ser histórica, aproveitando para relembrar o movimento contra o seu governo e a altura em que um Presidente da República foi militante.



Mais acutilante Emídio Rangel [antigo director da SIC e da RTP] dispara uma rajada de acusações:

  • Aos juízes, que facultam aos jornalistas os documentos e violam o segredo de justiça;
"Nesta roda entraram há pouco tempo a Associação Sindical dos Juízes e o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público: obtêm processos para os jornalistas publicarem, trocam esses documentos nos cafés, às escâncaras".
  • Aos que envergonham o jornalismo como Manuela Moura Guedes, José Eduardo Moniz, José António Saraiva, José Manuel Fernandes, Francisco Pinto Balsemão;
"Em Portugal existe bom jornalismo e bons jornalistas, mas é cada vez maior o número dos que atropelam o código deontológico. Esta peste entrou em Portugal pela mão de Paulo Portas quando era director do Independente, que fez primeiras páginas sem respeito ou valor pela dignidade humana."

  •  Às agências de comunicação que "a maior parte delas plantam notícias, têm jornalistas por conta, compram jornalistas".

Rangel garante também que foi saneado politicamente da RTP. O presidente da RTP disse-lhe que era um bom profissional mas tinha que sair, assim sendo, haveria um acordo ou haveria um processo disciplinar. Rangel conta a José Miguel Júdice e este arranja um encontro com Morais Sarmento ["com quem tinha entendimento preferencial"… sublime!]. "Só temos 90 mil contos, não temos outra solução", foi o resultado desse encontro.

A Associação Sindical dos Juízes Portugueses já reagiu às declarações processando Rangel. Algo que não o atemorizou, visto que já reiterou as acusações.


Resta esperar para saber se o problema está na liberdade de expressão, na libertinagem de expressão ou em ambas. O que fica exposto sem dúvida alguma é o submundo de tricas políticas e jogos de poder que caracterizam o quotidiano político-social português.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Liberdade de expressão na Madeira



Numa altura que se fala em liberdade de expressão e comunicação social na AR, também na Madeira se agitam “bandeiras” de liberdades reprimidas.


O Bloco de Esquerda requereu [02-02-2010] um debate de urgência sobre a liberdade de expressão e os apoios à comunicação social. O PSD rejeitou o pedido [na semana passada] e já se vê a braços com uma comissão de inquérito requerida pelo PS.


Não consigo entender a razão desta investida contra Alberto João Jardim. Fala-se em intimidação e processos contra jornalistas. Errado… Jardim parece querer processar toda a gente… o líder do PS/Madeira... a PSP Madeiraum dirigente do PND-Madeira... o deputado socialista Carlos Pereira e o DN... os membros da CNE... o semanário Expresso

E se dúvidas haviam, foram todas esclarecidas já em 2009, com o fabuloso “ofício” de Jardim para as autarquias e secretarias regionais no qual dá “indicações para que levem a tribunal todos aqueles que entendam estar a pôr em causa o bom nome pessoal e das instituições.“


O Presidente Regional aparenta simplesmente ser cioso da sua imagem e atento a calúnias. Algo que é normal vindo de uma pessoa com um tacto particular, muitas vezes incompreendido. É com carinho que Jardim se refere aos jornalistas como … corruptos… comunas… súcias… fascistas… tolos… incapazes… incultos… gente reles… mentes recalcadas… exóticos [atenção ao requinte]… incumpridores de estatutos editoriais… ralé que não toma banho… bastardos… até mesmo filhos da (…) Alguém não acredita que é com carinho? Como disse Jardim: “Fuck them*”

Com o mesmo carinho o continente é a Sicília Hispânica… a oposição madeirense é um bando de loucos… o Governo um bando… Morais Sarmento é demente… Monteiro, José Manuel Coelho, e Louçã são fascistas… Sócrates é um sem vergonha e um Mugabe da Europa…


Pressões ao "Tribuna da Madeira" ou ao "Diário de Notícias da Madeira" serão com certeza exageros. Falemos antes em recomendações de boa convivência político-social. E sobre o Jornal da Madeira, mais conhecido por jornal do governo [ou do PSD-M], basta lê-lo para ter uma ideia da sua “imparcialidade”. Na campanha interna do PSD, por exemplo, enquanto Passos Coelho enviou uma carta aos militantes madeirenses, Rangel optou por publicá-la [lá está] no Jornal do PSD-M. Refiro-me ao Jornal da Madeira e não ao Madeira Livre [jornal editado pelo PSD].
~

quinta-feira, 4 de março de 2010

Ora bolas

Detesto duvidar das pessoas, especialmente quando ocupam certos cargos, mas…

No dia 21 (Sábado) depois das 19h é divulgado um comunicado a dizer que nesse mesmo dia se arquivou o processo. Dois meses depois Pinto Monteiro disse que o despacho de arquivamento era de 18 de Novembro.

Agora qual é a fascinante desculpa? O documento de 26 páginas demorou 3 dias a dactilografar.

Sentem-se gozados?


[imagem retirada de Almocreve das petas]

quarta-feira, 3 de março de 2010

Inquira-se


Audições e tal, acabamos por chegar à comissão de inquérito, uma solução mais centrada que não terá as dificuldades da demasiada abrangência revelada pelas audições na Comissão de Ética, onde já cabiam todos os muitos assuntos.

Justifica-se uma comissão de inquérito, até porque as recentes audições só serviram para manter o peso da suspeição. Assim, o PSD alia-se ao BE na proposta e teremos uma comissão, sem oposição do PCP ou do CDS-PP. O objectivo será o de deslindar se o governo teve ou não alguma intervenção na questão da intenção de compra da TVI, e se o PM mentiu ao parlamento quando disse que nada sabia.

Sobre este assunto resta esperar...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Cerrar fileiras

Primeiro a petição Todos pela liberdade [anti-sócrates].

Agora o Manifesto Pela democracia [pró-sócrates].

Não tarda nada e lanço uma petição, Pela Moralização da Vida Política
                                                                 [indiferente a Sócrates, anti-partidocracia do tipo corporativista]

Como postei um... agora posto o outro...

Pela democracia, nós tomamos partido


"Vivemos tempos que impõem uma tomada de posição. O que se está a passar em Portugal representa uma completa subversão do regime democrático. Os sinais avolumam-se diariamente e procuram criar as condições para impor ao país uma solução rejeitada nas urnas pelos portugueses.

Com base numa suposta preocupação com a «liberdade de expressão», que não está nem nunca esteve em causa, um conjunto de pessoas tem fomentado a prática de actos nada dignos, ao mesmo tempo que pulverizam direitos, liberdades e garantias. É preciso recordar: à Justiça o que é da Justiça, à Política o que é da Política.

Num País, como o nosso, em que os meios de comunicação social são livres e independentes, parte da imprensa desencadeou uma campanha brutal contra um Primeiro-Ministro eleito, violando a deontologia jornalística, as regras do equilíbrio democrático e as bases em que assenta um Estado de Direito, em particular o sistema de justiça. Reconhecemos, e verifica-se, uma campanha diária, sistemática e devidamente organizada, que corresponde a uma agenda política contrária ao PS e que se dissolve tacticamente na defesa de uma suposta liberdade cujos autores são os primeiros a desrespeitar.

Não aceitamos ser instrumentalizados por quem pretende que um Primeiro-Ministro seja constituído arguido nas páginas dos jornais, tal como já aconteceu noutras ocasiões num passado recente, alimentando um chocante julgamento popular que tem por base a violação dos direitos individuais e a construção de uma tese baseada em factos aleatórios, suspeições e vinganças pessoais.

Defendemos o interesse público e o sistema democrático para lá de qualquer agenda partidária. Os primeiros signatários são militantes do PS mas redigem este manifesto na qualidade de democratas sem reservas, abrindo-o a todos os portugueses que queiram associar-se a um repúdio público pelo que se está a passar. Recusamos esta progressiva degenerescência das regras do Estado de Direito e não aceitamos que se procure derrotar por meios nada lícitos um Governo eleito pelos portugueses, nem tão pouco que se procure substituir o sistema de Justiça por um sistema de julgamento mediático.
Pela democracia e pelo respeito da vontade popular, nós tomamos partido."

Se a tua mãe fosse lésbica…


Casamento homossexual e tal e coiso… o drama… veja-se lá bem que há pessoas que querem ter direitos… tsc, tsc… o que vale é que já há portugueses que estão determinados em acabar com essa coisa de não discriminação. Em “boa hora” a plataforma cidadania casamento está a promover uma concentração no Marquês de Pombal, pelo casamento e pela família.

Que coisa mai linda!!! … pelo casamento e pela família… mui nobre motivo levará ao Marquês cidadãos preocupados com os “valores da família”… estou tão a favor desta concentração que até proponho um cartaz:


Brincadeirinha… E como a vida é feita de coincidências [pois…] a Ilga lançou agora uma campanha:

Neste caso só tenho uma dúvida, porque raio anda a Câmara Municipal de Lisboa a apoiar esta campanha? Não têm mais lugar onde gastar o dinheiro?

Nos entretantos lê-se por aí muita coisa sobre este cartaz. Por exemplo no blogue “Cachimbo de Magritte ” Paulo Marcelo escreve:


Talvez não… diria até que Paulo Marcelo estaria aqui… a mudança é que não estaria a escrever esse post e respeitaria a opção da sua mãe.

Bom, bom é usar o exemplo Africano e aplicar logo a pena de morte a quem não se compadece com moralismos de bancada, e acha-se livre para optar qual a sua orientação sexual e como deve levar a sua vida…


Fico-me com uma noção de família [A ver: A família democrática]

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Movimentações

Requerimento do PSD aprovado pela oposição trará à AR várias personalidades a audições na comissão de ética, sob o tema liberdade de expressão O PS votou contra pois tinha um problema com texto… acredito que sim… “dificuldade de convivência” do Governo com a “liberdade de imprensa e a liberdade de expressão”, deve causar sentimentos adversos na bancada socialista.



A coisa do Sócrates não fala para não “pactuar com o crime” torna-se o discurso do PSócratismo. Assis na mesma linha, acrescenta que “Nenhum primeiro ministro de nenhum país democrático aceitaria uma situação desta natureza: dar explicações sobre esse tipo de conversas.” Pois é. Só é pena que pelo andar da coisa, já está a ser posta em causa a justiça, perante os cidadãos, e Portugal perante a Europa. O clima de pressão que se vive por terras da comunicação social, denuncia a inaptidão do primeiro-ministro em conviver com o contraditório [quanto mais com um governo minoritário em democracia].

Temos partidos e políticos a aproveitarem-se da situação? Temos pois. Acontece que não foram esses partidos a criar a situação. Aproveitam-se tanto quanto o próprio PS já se aproveitou de outras situações no passado. Paulo Rangel por exemplo usou, e se me permitem, abusou levando o tema para o parlamento europeu.

“Portugal já não é um Estado de direito”.

Ao ser um euro deputado a trazer um problema nacional desta natureza ao parlamento europeu [e desta maneira], confere-lhe desde logo uma dimensão que não abona a favor de Portugal. Algo que já foi relevado pelos socialistas europeus. O que torna a atitude de Rangel pior é que esta tinha como objectivo um impacto na agenda política portuguesa. De todos os objectivos que poderiam motivá-lo [fragilizar o governo, ajudar o PSD,…], o euro deputado teve o condão de escolher o que menos justifica cravar mais um prego imagem portuguesa: avançar a sua carreira política, ou seja montar o palco para o retorno do herói das europeias, montado no seu melhor cavalo de combate para conquistar o PSD e o país. O candidato Rangel volta para “fazer oposição ao senhor Sócrates” .

Ainda parte do conflito interno do PSD, Aguiar-Branco [já candidato] rapidamente se demarcou da intervenção do seu companheiro no parlamento europeu, deixando para as audiências na comissão de ética o “escrutínio”.

Do lado do PS a “perseguição” da oposição de que tem sido “vitima” tem trazido ao de cima os melhores exemplos de eloquência do partido. Neste caso, Renato Sampaio [líder da distrital do Porto].


Enfim…

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Plano rosa relâmpago

O “Sol” transcreveu extractos do despacho do juiz de Aveiro responsável pelo caso Face Oculta, onde este considerava haverem “indícios muito fortes para a existência de um plano…”






Exposto o alegado plano, Pinto Monteiro [PGR] abre um inquérito à divulgação de escutas [prometendo consequências jurídicas], para Marinho Pinto"alguns magistrados deixam-se envolver pelas paixões políticas", o advogado de Vara acha "ridículo", Paulo Penedos “autoriza” divulgação das escutas, Sócrates fala em “jornalismo de buraco de fechadura“, e Cavaco em respeitar a “liberdade de expressão e o pluralismo da comunicação social”.

Do lado dos partidos o PCP exige esclarecimentos, o CDS-PP acompanha com preocupação, e o PSD ataca com um pedido de análise à Comissão de Ética ao problema da liberdade de expressão, que envolva ouvir a ERC e os jornalistas.


Francisco Assis [dono de duas intervenções fantásticas (IF) esta semana] já veio falar em defesa do seu líder, considerando que estes “não passam de problemas colaterais” [1º IF], e que a liberdade de expressão não está em causa. Por mim opto por encarar suspeitas de violação de direitos constitucionais, como um problema sério. A suspeita da presença de tais indícios, junto com o conhecimento de que esta não originou qualquer procedimento e levou à destruição das escutas, é de certa maneira perturbador se não for mesmo atentatório ao nosso Estado de Direito. Mais uma vez, um problema sério.


Voltamos outra vez ao fumo, demasiado fumo, para que não haja fogo. Para PSócrates a táctica continua a ser o malabarismo político e o nevoeiro propagandístico, porém a clara pressão em que se encontra a comunicação social não passa de uma expressão mais visível daquilo que se desenrola todos os dias em Portugal, ou seja, o tráfico de influências enquanto instrumento de eleição para muitos [seja qual for a sua cor].

Esta conversa fez-me lembrar de Alberto João Jardim [vá se lá saber porquê], que aproveitou a “semi-derrota” do governo nas finanças regionais, contra uma oposição unificada, para defender um “compromisso histórico para libertar Portugal do PS”. Um lindo sentimento, porém não me parece que as coisas se encaminhem nessa direcção. Mesmo se tivermos em conta certos desesperos para justificar o injustificável.

Por desesperos refiro-me a isto:

Bloco de Esquerda - "ala esquerda parlamentar de Alberto João Jardim". Francisco Assis [2º IF]

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Casamento por outro nome


Já tínhamos assistido ao drama existencial de alguns por causa do casamento entre pessoas do mesmo sexo [Post: Casamento] . Eis que, o drama do casamento outra vez… uns querem aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o que a bem dizer é o oficializar de um direito que ninguém o direito de negar. Outros querem um referendo sobre o assunto, para que possam preparar campanhas muito instrutivas, em que falarão sobre uma qualquer noção pré histórica de família que pretendem agarrar afincadamente e impô-la a todos [a mal ou à força].


Agora brilhante brilhante, é o partido [o PSD] que evolui de algo como casamento para procriar, para se tornar a favor de uma união civil registada [1; 2]. Gosto muito de ver convicções fortes que se vendem por um… bem, um nome. Afinal o nome é que causa problema. As pessoas do mesmo sexo podem se casar legalmente, desde que se chame outra coisa. Inspirador… verdadeiramente inspirador. O nome é que não foi muito feliz. Gaysamento seria muito melhor.

Já estou a ver o cenário. Um lindo luar, um jantar `luz das velas, e…

… queres unir-te civilmente registado comigo?

Ou melhor… queres gaysar-te comigo?


Preocupem-se menos em tentar impor a sua visão do mundo a todos, numa verdadeira atitude de ingerência desmedida, e preocupem-se mais com os verdadeiros problemas… sim temos problemas… não dramas existenciais… lembram-se?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Sobre a limitação dos mandatos


Com o novo programa de governo veio outra vez à baila a questão da limitação dos mandatos, desta vez para o primeiro-ministro e presidentes das regiões autónomas. Na verdade esta não é uma pretensão nova. A lei que estabelece os limites aos mandatos dos autarcas [Lei n.º 46/2005 - 3 mandatos consecutivos] já continha a limitação desses cargos, porém enquanto a lei estava no forno da AR estas limitações ficaram por terra quando passaram pela especialidade. Os visados por esta medida são os chefes de governo nacional e regional da madeira, dado que o estatuto dos político-administrativo dos Açores já prevê o máximo de três mandatos.



A limitação dos mandatos é uma forma bonita de se dizer que a vontade popular será condicionada por via de secretaria, algo que a bem dizer é profundamente anti-democrático. Não me espanta nada que seja o PSocratismo a insistir nesta linha de acção para a reforma do sistema político, dado que a meu ver de democrático o PSocrates tem pouco… adiante. O que eu queria dizer é que não me espanta nada que truques de secretaria [em bom português, manipulação da democracia] estejam no cerne de algumas das “reformas” pretendidas. Isto a julgar pela pérola que é a lei eleitoral autárquica [R.I.P. Lei eleitoral autárquica], um abuso manipulativo ainda pior, e mais uma das insistências do executivo.


O argumento base de tal táctica é a necessidade de renovação. Muitos dos dinossauros políticos que andam pelo país são o alvo primordial. No caso da limitação dos mandatos dos autarcas, muitos ficarão pelo caminho dando lugar à tão almejada renovação. Claro que um olhar mais cínico poderia trazer ao de cima a necessidade dos partidos manterem os seus autarcas sob controlo efectivo, evitando assim as dissidências que durante anos custaram algumas câmaras a esses partidos, para independentes que fugiram ao julgo partidário.


De qualquer maneira existem problemas que surgem de mandatos extensos. Pegando no caso mais falado, o de Jardim e a Madeira [no poder desde 78], podemos encontrar muitos desses problemas. A falta de pluralismo na informação, a falta de debate político, os excessos autoritários de um só partido que agora exerce demasiada influência sobre as instituições e mentalidade madeirenses. O PSD-M criou raízes na Madeira, espalhou-se, e colonizou a totalidade do ambiente político e administrativo madeirense, cimentando por essa via uma extensa rede de clientelismos. Agora não nos esqueçamos da incompetência e em alguns casos complacência, dos partidos de oposição que também têm “culpas no cartório”.



Agora dir-me-iam: “Eis a razão para a limitação de mandatos.” Acreditem que muitas vezes isso me passou pela cabeça [especialmente com a Madeira], porém após uma reflexão mais cuidada, concluo que isso não será razão para limitar aquele que é o cerne da democracia, a soberania popular. É um caminho perigoso este da manipulação democrática, pois os princípios que a sustentam não se compadecem, ou melhor, não funcionam quando tentamos controlá-la. Há muitas alternativas à limitação dos mandatos, ligadas muitas delas ao combate contra a corrupção, que permanecem por explorar. Não obstante, continua-se a insistir no último recurso do incompetente, ora não fosse verdade que quem não sabe fazer proíbe.


A particularidade mais “engraçada” desta tentativa de limitação é que aqueles que são eleitos directamente por vontade popular vêm os seus mandatos limitados [os autarcas, os presidentes regionais e o PM], enquanto os que são eleitos indirectamente [sim os escolhidos pelos partidos] não sofrem qualquer limitação ao seu mandato. Deputados dinossáuricos que se mantêm anos e anos seguidos na Assembleia.

Se querem limitar alguma coisa, comecem por tentar limitar a hegemonia que alguns partidos mantêm sobre a nossa democracia, e deixem a soberania popular em paz.

domingo, 25 de outubro de 2009

Chipando-nos






Juntam-se à “luta” contra uma ideia peregrina, sustentada pela ex-maioria absoluta, de criação de um autêntico Big Brother rodoviário para efeitos de cobrança electrónica de portagens. Uma ideia muito tecnológica certamente, porém este dispositivo electrónico de matrícula não deixa de parecer uma medida perfeitamente desproporcionada. Isto se não tivermos em conta que quando apareceu a ideia do tal chip, esta vinha associada à segurança rodoviária. A cobrança de portagens era uma mera funcionalidade, por entre um mar de objectivos “mais abrangentes” que incluíam a fiscalização do cumprimento do Código de Estrada, a inspecção periódica, e identificação de veículos [acidentados, abandonados, roubados], ou seja, um autêntico Big Brother rodoviário. Lá por que agora só se falam em portagens, não quer dizer que se abra o caminho para tudo o resto.


De qualquer maneira tudo indica que este dispositivo terá dificuldades em sobreviver num parlamento reorganizado. O PSD, por exemplo, já entregou um diploma que visa a revogação, dos decretos-lei que impõem e regulam a instalação do chip.


Só se pode esperar que estes devaneios PSócratistas, venham a morrer na praia… caso não, ponham lá um chip nesta matrícula:


Imagem retirada do Só riso

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Voto de Protesto pelo Voto de Protesto


Em Santa Comba Dão foi inaugurada neste 25 de Abril, a Praça de Oliveira Salazar [que sofreu obras de requalificação]. Logo surgiram rebuliços por causa da data escolhida com acusações a voarem de um lado [“falta de maturidade política”] para outro [“Irresponsável, fascizante e salazarenta”]. João Lourenço, o presidente laranja do município em causa, chegou a considerar que a escolha da data era até uma coincidência feliz por significar que as obras estavam concluídas a tempo de um feriado para serem inauguradas.


Para além de uma tremenda falta de bom senso, de pouco mais podemos acusar este presidente de câmara. Estadista ou não, ditador com certeza, lembremo-nos que estamos a falar do vencedor do concurso “Os Grandes Portugueses” [é sempre bom relembrar: 1º Salazar; 2º Cunhal \ tirem as elações que quiserem].


Qual é o verdadeiro problema com a praça sob este nome e a sua inauguração [para além da referida falta de bom senso]? Tempos de antena deveriam era ser dados à rua Oliveira Salazar, que entronca com a Rua Capitão Salgueiro Maia, em Atalaia. Isto sim é que é um bom humor na atribuição de nomes de ruas, etc.
Estarão a democracia ou os valores de Abril, a serem postos em causa? Por amor da santa… Em hora e meia de notícias, a democracia é posta em causa mais vezes pelos actuais protagonistas políticos, do que alguma praça Salazar conseguiria num ano [mesmo sendo inaugurada no 25 de Abril, com uma placa: “Respiro Estado Novo, alimento-me de Salazar e dormiria com Caetano”].
O propósito do 25 de Abril não seria certamente a política de chachada partidocrática que se vive diariamente na Assembleia da República.

Acontece que o parlamento aprovou, um voto de protesto do BE a condenar a atitude da Câmara Municipal de Santa Comba Dão.

Voto de protesto pela inauguração, no dia 25 de Abril, da remodelação da Praça Salazar, em Santa Comba Dão:


Considerando que:
A Câmara Municipal de Santa Comba Dão anunciou que vai inaugurar no dia 25 de Abril a remodelação de uma praça da cidade a que foi dado o nome de Salazar.

Na placa, exposta nessa praça, Salazar é apresentado como "professor universitário e estadista", omitindo-se o seu papel histórico como ditador à frente de um regime político anti-democrático e repressivo.

A Assembleia da República, reunida em plenário, delibera:

- Repudiar todas as tentativas de branqueamento da imagem de Oliveira Salazar, responsável máximo por uma das mais longas ditaduras do século XX.


- Expressar a sua surpresa e indignação pelo facto de a Câmara Municipal de Santa Comba Dão inaugurar no dia 25 de Abril a remodelação de uma praça a que foi dado o nome do ditador Oliveira Salazar.

São Bento, 24 de Abril de 2009
Os Deputados e Deputadas do Bloco de Esquerda”



Assim Sendo

Voto de Protesto pelo voto de protesto pela inauguração, no dia 25 de Abril, da remodelação da Praça Salazar, em Santa Comba Dão:


Considerando que:


A Assembleia da República aprovou um voto de protesto pela inauguração da remodelação de uma praça, provando assim os deputados que nada mais têm para fazer do que se preocupar com meros fait divers.

Não satisfeitos com os balúrdios que gastaram do erário público, em computadorzinhos, telazitas, e outros burlicoques, enquanto o país anda em crise e povo sofre.

O Politikae, reunido na mesa da cozinha, delibera:

- Repudiar todas as perdas de tempo levadas a cabo pelos deputados(as) da Assembleia da República, responsáveis máximos por uma das mais débeis democracias do século XX e XXI.

- Expressar a sua surpresa e indignação pelo facto de os deputados(as), continuarem a usar e abusar dos seus cargos, relegando para segundo plano as necessidades nacionais, em nome de uma maior vigência partidária.


Lisboa, 5 de Maio de 2009,
Todas as pessoas com o mínimo de bom senso.
[que faltou ao presidente da Câmara de Santa Comba Dão]

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Processar, não processar. Qual a questão?

"Manuela Moura Guedes vai avançar com um processo judicial contra José Sócrates, revelou a jornalista ao PÚBLICO. José Sócrates fez, na entrevista à RTP, várias referências negativas Jornal Nacional de sexta-feira da TVI, apresentado pela subdirectora do canal, que a jornalista considerou “injuriosas”."

Declarações do PM:
"Vocês não vêem o telejornal da TVI à sexta-feira? Aquilo é uma caça ao homem, é um espaço noticioso feito por ataque pessoal movido por ódio!" é "um telejornal travestido".

Não sou espectador assíduo do referido telejornal [a não ser quando estou virado para uma boa comédia], mais ainda… rigor, seriedade, etc, seriam as últimas palavras que me ocorreriam ao descrever tal programa noticioso e [já agora] tal jornalista… [não me processe sff…], porém não vi com bons olhos a maneira como Sócrates criticou ambos, até porque trata-se do “nosso” Primeiro Ministro a descer a níveis impróprios [nada que não estejamos habituados].
De qualquer maneira penso que processá-lo, para além de ser o mesmo que faz o nosso autoritário e obtuso PM [não me processe sff…], é simplesmente… triste…

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Partidos do "mesmo sexo"


Foi imposta a disciplina de voto [o que não é novidade] e o PS também não se compromete “com a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo na próxima legislatura” [o que também não é novidade].

Para um partido eleitoralmente guiado [tradução: VOTOS], comprometer-se com tal coisa seria aceitar o mesmo “efeito adverso” em altura de eleições… se bem que um partido comprometer-se com seja lá o que for, é só música para os ouvidos. Tenhamos em conta que no programa eleitoral de 2005, no capitulo dois sobre Novas politicas sociais o PS comprometeu-se a levar a cabo uma “politica de não discriminação”, e vejam lá o resultado.

Os deputados indicados pela JS, depois de enterrarem a cabeça na areian já não estão pelos ajustes, e pretendem apresentar uma outra declaração de voto, deixando claro que pretendem que esta questão esteja presente num próximo programa eleitoral.

É por esta e por outras que a política tem um “valor” baixo, dado que a acção política é balizada por critérios sujeitos à manutenção [ou obtenção] de poder, onde mais nada interessa a não ser os votos. Agora o tema é casamento entre pessoas do mesmo sexo, uma restrição da liberdade que aparentemente não afecta a maior parte dos portugueses, mas… e quando se trata de outro tema sujeito ás mesmas restrições? [como já aconteceu inúmeras vezes]


O PSD está descansado, pois esta questão sob as condições actuais pouco lhe afecta, ainda para mais se considerarmos a liberdade de voto. Já o CDS-PP num exercício puro da sua arrogância e superioridade moral [nestes assuntos] irá “recorrer a quatro constitucionalistas para sustentar que o casamento entre pessoas do mesmo sexo não tem cabimento na actual lei fundamental, apesar de não impedir outro tipo de contratualização civil com objectivos próximos”. Ó meus amigos… como já aqui disse anteriormente sobre este assunto, chamem-lhe rabanete ao invés de casamento. Deixará de ser casamento? Não. Será a mesma coisa com uma pequena grande diferença… será um casamento discriminado quer socialmente, quer por via de lei.