segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Monteiro “ataca” as legislativas


Manuel Monteiro que já tem em marcha uma recolha de assinaturas, com vista a ser proposto como deputado, pretende agora provar que os eleitores desconhecem os deputados que elegem.
Para esse efeito vai lançar em Braga uma acção simbólica, na qual será colocada uma “urna de voto”, onde os munícipes poderão colocar um boletim com o nome de 3 deputados eleitos pelo círculo de Braga.

De certa forma, Monteiro pretende denunciar o peso da partidocracia, e uma suposta ineficácia do sistema eleitoral. Esta não deixa de ser uma iniciativa engraçada, que podia até ser alargada a todo o país. Tendo em conta o desconhecimento que se antevê sobre “estas coisas”, bastava pedir à população para colocar no tal boletim apenas um deputado…

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

PSócrates "O Nobre"




A propósito dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo: "Ficou decidido que o PS condenará o oportunismo político do Bloco de Esquerda, mas a questão da disciplina de voto ficará assente na próxima reunião" Strecht Ribeiro

Talvez o PS não considere que esta seja "uma forma nobre de fazer política".

Uma forma nobre de fazer política é prometer [agora] “construir "pelo menos um campo relvado" em todos os concelhos do país” [ou distribuir um kit autonómico, mas isso é outra história].

Uma forma nobre de fazer política é acusar a oposição de bota-baixismo, ao mesmo tempo que criticamos a oposição fazendo uso desse bota-abaixo.

Uma forma nobre de fazer política é justificar o desempenho económico português, só com as crises externas.

Uma forma nobre de fazer política é rejeitar três projectos, permitindo que hajam excepções duvidosas, dada a falta de transparência [Sociedade Frente Tejo].


Uma forma nobre de fazer política, é criar o Dia do Diploma e pôr o Primeiro-ministro a entregar prémios de mérito de 500 euros a alunos, enquanto a Ministra da Educação critica posturas e o “mundo da intriga política”. Por conseguinte, uma forma nobre de fazer política é proteger a imagem do Primeiro-ministro a todo o custo. Pois temos um Primeiro que foge “a sete pés” de tudo o que é negativo, deixando esse trabalho para os “lacaios”, abarbatando todo o que de positivo existe.

Uma forma nobre de fazer política é usar o princípio do mandato para agir autoritariamente, passando por cima de tudo e de todos [com a força da maioria parlamentar], para no fim entrar em modo eleitoral, finalmente se preocupando com as questões sociais e com os investimentos.


Fala em legitimidade, vejam bem. A mesma pessoa que navegou por entre um mar de protestos, à escala nacional, como se nada houvesse. O que falta, é PSócrates perceber que o povo deu-lhe maioria, e não carta-branca. Porque isso é o que está na mente de todos aqueles que pensam a maioria como a única forma de governar [será essa a mais nobre?]. Sei bem que na cabeça do Primeiro-ministro foram os comunistas que se manifestaram, e até pode pensa-lo, não tem é o direito de confundir firmeza com obstinação.

Uma forma nobre de fazer política é seguir "a regra decisória do grupo parlamentar, livremente assumida por todos os deputados, é a regra da decisão colectiva e da disciplina de voto” [quer concordem, quer não].

Uma forma nobre de fazer política é ter-se uma agenda política e uma outra eleitoral. Faz-se o drama, porque o casamento entre pessoas do mesmo sexo não faz parte do programa do Governo. Será que tudo o que este governo fez, foi mediante a anuência dos seus eleitores, pois fazia parte do programa do Governo? Conheço algumas pessoas que em Sócrates votaram, e agora sentem-se ludibriadas… devem ser excepções… Por ser má-língua, penso que nesta questão, o PS está mais preocupado com os votos que poderá perder no Portugal profundo, do que noutra coisa [em detrimento dos seus próprios princípios]. Mas isso sou eu, má-língua.

Uma forma nobre de fazer política é cultivar os grandes interesses sujeitando-os à conveniência do seu momento [ou sujeitando o momento à conveniência dos interesses]. Bem pode Sócrates cobrir-se de “patriotismo progressista”, jogando fumo para os olhos com a escola moderna, com "mini-pacotes fiscais", ou com sonhos de outrora, pois isso não apagará o PSócrates autoritário e intransigente... isso não apagará o PSócrates que pretende fazer agora, aquilo que durante anos deixou de lado.

PSócrates que fique bem ciente, que ao ganhar as eleições, fá-lo-á por demérito da oposição e não por mérito próprio.

Aqui fica a sondagem CM/Aximage, publicada no Correio da Manhã:

“38,7 por cento dos inquiridos prefere José Sócrates para primeiro-ministro.”
“30,3 por cento escolheu Manuela Ferreira Leite.”
“56,3 por cento dos inquiridos diz que o Governo está a actuar 'pior do que esperava'”

Dá-lhe camarada



"O líder do PCP fez ontem um ataque ao Código do Trabalho..." Público


A cruzada...


"Com este Governo PS assistimos ao mais descarado assalto ao poder de compra dos salários e pensões"


O insulto...


"Como é que aquele bazófias - passe a expressão e sem ofensa - do primeiro-ministro pode andar a dizer que o país está no bom caminho?"


A cusquisse


"Jerónimo de Sousa contou que quinta-feira, no Parlamento, "à boca pequena", um deputado social-democrata fez um "desabafo" quanto ao período experimental de seis meses previsto na legislação proposta pelo executivo de Sócrates: "Essa nem nós demos à CIP"."


A imaginação


"Hoje, que bom que é ver esses profetas e gurus que traçaram o nosso destino dizerem 'afinal, cuidado com o PCP porque está forte e continua a sua luta'"


A tanga


"No congresso do PCP, garantiu, os militantes "antecipada e colectivamente, discutem, propõem e decidem sobre tudo ao que o partido diz respeito", ao contrário dos outros partidos "onde quem manda é o chefe"."


O PCP

“A Assembleia da República aprovou hoje, apenas com o PCP contra, um voto de congratulação do PS pela detenção de Radovan Karadzic, líder servio-bósnio a ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).”

Da sede ao partido



Aconteceu à mudança de sede nacional, o mesmo que aconteceu ao partido... ficou sem efeito.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Pinho to the rescue


Manuel Pinho insurgiu-se contra o abuso das empresas sobre o mercado, no caso dos combustíveis. Lindo… Foi preciso o quê, para que o Ministro falasse sobre o que está à vista de todos, há muito?... Ah! A aproximação das eleições.

“O ministro da Economia, Manuel Pinho, afirma que “se por acaso o preço da gasolina” nas bombas não baixar ficará “extremamente surpreendido” e não hesitará em tomar medidas. (…) “Estou preparado para tomar toda e qualquer medida em defesa do consumidor”, afirmou ontem.” Público

Quais medidas? Não interessa, pois este foi só um aviso. Do tipo, não dêem tanto nas vistas com esses aumentos, porque eu ainda vou ser obrigado a fazer alguma coisa…
Sócrates preferiu falar na redução da nossa dependência do petróleo, com a aposta nas energias renováveis [o vento e a água]. Que é mais ou menos o que estamos a precisar cá em Portugal. Uma boa ventania, seguida de uma enxurrada, para limpar a política de tangas.

Disciplina de veto


O casamento de pessoas do mesmo sexo está a fazer mossa na bancada do PS [com os cumprimentos do BE e do PEV]. Aparentemente, uns deputados malandrecos não estão a gostar da disciplina de voto [sabe-se lá porquê]. A discriminação nem aparece na Declaração de Princípios do partido. E mesmo que estivesse lá presente… pôr votos em risco vs acabar com discriminação, isso nem escolha é.

O que vale é que Alberto Martins já equacionou a hipótese de vir a permitir excepções à disciplina de voto. O chato é que esta questão, não integra o programa do Governo. Tanta preocupação com o programa do Governo… hi! hi!... Aguardo.

Devo dizer que adoro a chamada “disciplina de voto”. É tão… qual é a palavra?… democrático.

Humilhação sim

Houve humilhação, estamos de acordo.
Mugabe humilhou, o Zimbabwe, a democracia, a Zanu-PF, o povo zimbabweano...

PSD na berlinda

Manuela Ferreira Leite foi aos Açores reforçar a posição do PSD Açores, com a táctica de Jardim no bolso: “No continente não há democracia”. Dançou em torno do já famoso estatuto, e pouco mais…

Entretanto, segundo Paulo Rangel, na votação do Código do Trabalho o PSD terá “uma posição de abstenção construtiva”.


O…K…
O PS aproveitou logo a deixa: "...os sociais-democratas não têm uma “posição alternativa consistente a apresentar”."
Rangel que não se preocupe. Estamos consigo. O PSD que continue como está, e os eleitores também optarão por uma “abstenção construtiva”.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O Poligrafo da política


Vá... digam lá se não queriam ver este programa... sempre é melhor que isto.

Mother Russia



Não acredito... não pode ser... é mentira... nunca imaginei... como é?... alguma vez... deve ser outra coisa... a Russia?... não... ... ... ... ...

Pondera Santana, pondera...



Em relação à Câmara Municipal de Lisboa, Santana Lopes está em "processo de ponderação".

Por processo de ponderação entenda-se, dizer a Manela para encostar Seara, manter Sintra e dar Lisboa [um projecto fascinante] a ele mesmo, pois não faz mais nada da vida e quer fazer política à força. Mesmo não tendo nenhuma hipótese contra Costa [Sá Fernandes e Roseta]. Isto por não se afigurar no horizonte o "congresso de Menezes".

É um passo


Pressionados pelos furacões ou não, de uma maneira ou de outra o regime tem de se abrir, mais vale que seja para a UE.

Quotas … bahhh!




Esta beleza de lei que é a da Paridade, é um espectáculo. Por via de regra tendo a encarar as quotas como o que se faz quando não se sabe resolver, sacrificando para esse efeito outros princípios.

Quotas para mulheres? Porquê discriminar as mulheres? Não haverão outros meios para que a presença das mulheres na política seja propiciada?

As escolhas de pessoas nos partidos, já são de se lhes tirar o chapéu… porque não mais um critério ridículo… força… vamos arranjar um conjunto de mulheres para as atafulhar na lista. Assim sim, teremos igualdade...

Ser casamento ou não ser


O Bloco e os Verdes querem que seja permitido o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. O CDS-PP torce o nariz, obviamente.

Mesmo com a procriação na cabeça de Manuela, a bancada do PSD tem liberdade de voto e a JSD põe-se a favor.

O PS impõe a disciplina de voto, para chumbar [afinal ninguém quer perder votos por causa “desses assuntos”, pois quando ganharem falam do mesmo com menos consequências], e a JS mantêm-se submissa a PSócrates.

Há quem diga que o tema não é importante, pois existem muitas preocupações que são prementes. Não vejo como a liberdade e a igualdade possam ser secundárias em altura alguma, de qualquer maneira com isto não estamos a “roubar” tempo a nenhuma questão [pelo menos que não sirva como desculpa].

Torna-se mais importante constatar que a agenda eleitoral dos partidos, não é a sua agenda política [coisa que o PEV e o BE conseguiram provar com um golpe de carteira].

Tem dó


Pinho pede descida de preços, a BP aumenta...

Presidente da BP no Primeiro Jornal da Sic:
"Devido às pequenas margens deste negócio..."



A Taxa Robin dos Bosques é brincadeirinha de criança, os abusos já passaram os limites há muito tempo.


TIREM A MÃO DO MEU BOLSO

Porque os J.O. acabaram e a repressão continua


Relembro o Tibete:

Os tibetanos que vivem ilegalmente em Katmandu serão deportados, para pôr fim à onda de protestos constantes, pois o Nepal está de olho nas suas relações com a China [agora que os J.O. acabaram a atenção está noutros lados…].

Noto ainda, que os monges continuam a ser perseguidos. Registo que "o iTunes, teve seu acesso bloqueado na China por estar vendendo discos de bandas que apoiavam o Tibete na sua permanente busca pela liberdade.”

Hipocrisia internacional


Porque este é um embargo hipócrita, que já devia ter sido levantado...
Libertem Cuba... [como quem diz]

Assalto à mão desarmada

[imagem via porquemedizem]

O roubo do ano e ninguém investiga, pois se fossem estes roubos aí seria o drama… Qual é a diferença? Não é roubo à descarada, na mesma?

Sobre a assaltante GALP, ainda há umas coisitas que vale a pena ler: Porque os lucros da GALP aumentaram 71% no 1º semestre de 2007?
Digo simplesmente: Tirem a mão do meu bolso...

PSD no seu melhor

No blogue do PS Lumiar um post que mostra esta foto de algures no distrito de Setúbal:


Muito bonito. As manchas de sangue são "o toque". Não terem posto uma criança morta, foi uma sorte... O que faz o Governo?... O que faria o PSD?... (ouvem-se grilos)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Betão e companhia




Eu peço o mesmo ao país todo...

Aleluia Irmão

O PSD pega num dos pontos do projecto de lei do PS sobre o divórcio. Já não está mau. Não percebo porque é que não apresentam aquilo que querem mesmo:

Falar de procriação




Manuela ao Parlamento para expor a teoria da procriação... Triste vida de Manela que só se casou para procriar...

Jardim dos meus partidos


Jardim continua a campanha para 2009 [ou pelo menos assim o parece]. De tudo o que está patente no pensamento de Jardim, a ideia de que, “os partidos políticos precisam de se regenerar. Tal como estão, não têm nada a ver com a população”, é das que eu mais concordo. Nesta partidocracia à portuguesa o elemento secundário é o cidadão que só é importante enquanto eleitor, que se usa quando necessário, descartando-se depois. Os partidos [por acção dos políticos] deixam-se embeber pelo politiqueiro dos partidos sistema num mundo de interesses, relegando para segundo plano a livre prática de uma democracia consciente e consistente com os seus princípios base.

Como sempre, Jardim esquece-se que o PSD-M é um dos tais partidos politiqueiros que está a precisar da tal regeneração. A julgar pelos que já se estão a engalfinhar pelo poder, por já estarem a cheirar a saída del Presidente [também muito exótico], essa mudança vai ser diminuta. A diferença do PSD-M é que ao invés do partido não ter “nada a ver com a população”, o partido diz como é que a população deve ser.


“Estou em pânico com medo que Portugal perca esta oportunidade”, disse Jardim. Bate mais um pouco na Constituição, com os pedidos de sempre, por entre os quais encontram-se: a vertente programática da Constituição; a possibilidade vedada de referendar a Constituição; a politização da justiça através do Tribunal Constitucional.
Jardim não deixou de cutucar na defesa da regionalização, pondo-a como arma importante para travar a globalização [cada um tem as suas prioridades].

Menezes vs Rebelo de Sousa

Marcelo Rebelo de Sousa no seu “Conversas em família”, disse que Menezes tem de “baixar a bolinha”, porque [entre outras coisas] atirou o “poder pela janela”. Menezes [o silencioso] não gostou, e acusou Marcelo de ter memória curta, por não se lembrar de ter atirado o “poder pela varanda”, com o agravante de o ter feito a seis semanas de eleições.


A primeira coisa que noto é sem dúvida a importância das questões que se levantam… continuando… depois, sou quase que obrigado a reparar na preocupação de Menezes com o partido… em frente… é de relevar a riqueza das ideias [janela; varanda]… next… apesar de tudo, gostaria muito de ver o debate televisivo, sobre a situação do PSD. Nunca me oponho a uma boa comédia.

“A Vida Normalmente”

Destaco a série de dez documentários “sobre pessoas de 10 bairros problemáticos de origem e história muito diversas”, que tem a sua estreia amanhã [2008-09-16, 23h30m] na RTP2 e terá a sua continuação nas próximas terças-feiras.
Tendo em conta algumas das coisas que por aí se diz, não vejo como esta série não seja importante [ou pelo menos assim o espero].

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A ver vamos






O governo de unidade nacional está para avançar, agora só resta esperar.


O problema é que o Zimbabwe não pode esperar pelo fim dos tiques ditatoriais do Sr. Mugabe:


-"86 mortos (entre os membros do MDC), 10 mil feridos e 200 mil deslocados";
-"hiperinflação de 11 milhões por cento";
-"falta de alimentos e um desemprego galopante";



Tsvangirai fala num abrir de portas à ajuda de fora, Mugabe responde assim:

"...o “Zimbabwe é um país soberano”. “Apenas o povo do Zimbabwe tem o direito fundamental de o governar. Apenas os zimbabweanos podem criar um governo e mudá-lo”, declarou o chefe de Estado, de 84 anos e há 28 no poder.
“Devemos resistir àqueles que procuram impor-nos as suas vontades. Esse princípio deverá guiar-nos à medida que formos avançando”, sublinhou." Público


Antevejo uma cooperação estratégica.



domingo, 14 de setembro de 2008

Madonna política







Depois disto, Madonna continua "política" e hoje no concerto em Lisboa, Obama não deixou de aparecer nos ecrãs gigantes.

CDS-Portas (4)



Aveiro foi o local escolhido para a rentrée política de Portas… perdão… do CDS-PP. Segurança, economia, agricultura [não lavoura], os pensionistas, enfim… nenhuma mudança no discurso de sempre. Um desafio para um debate público aqui, um ataque ao despesismo no RSI [Rendimento Social de Inserção] ali, uns prémios fiscais às empresas que aumentem a produtividade acolá, e Portas considera que Sócrates, “já deu o que tinha a dar”. Consigo pensar num outro político que já deu o que tinha a dar e recusa-se a “largar o osso”.

Aqui o homem esteve bem: “O único cidadão com quem José Sócrates foi transparente foi com Hugo Chávez” … “porque te callas José Sócrates sobre a economia e a insegurança?”.
Muito divertido... Não nos esqueçamos que o dirigente do CDS-PP é a pessoa a quem recorrer quando falamos em transparência. Nobre Guedes e a comissão política do partido que o diga… Já para não falar num ou noutro caso relacionado com Paulo Portas que eu também gostaria que ele hablasse. Só para que a “omissão”, não se diluísse na cruzada de Portas, José Lello (do PS) fez questão de a relembrar. Êpa, que cena chata… meu.

Imunidade para a corrupção?


A corrupção está também na Assembleia, ou pelo menos é o que diz Manuel Monteiro. Por causa disso pede a alteração do regime de imunidade parlamentar.

“políticos que se mostram preocupados com a criminalidade servem-se da imunidade parlamentar para esconder processos em que provavelmente estão envolvidos em matéria de corrupção. (…) esses políticos deveriam ter a coragem de perceber que o combate à criminalidade passa também pelo combate aos corruptos e à corrupção que existe em Portugal”. Público

Não é novo, este apelo de Manuel Monteiro pelo fim da imunidade parlamentar, bem como, pelo exercício do mandato de deputado em exclusividade de funções, ambos como forma de "dignificar a vida política". Em Monteiro, a controvérsia em relação à imunidade parlamentar costuma vir acompanhada da constatação de que os deputados têm que ser beneficiados pela imunidade, quando está em causa o livre exercício da actividade política. De facto, a imunidade parlamentar não é um privilégio, é antes um garante do bom e livre exercício das funções dos parlamentares. O objectivo base é o de eliminar [o que se traduz numa redução] as influências que poderiam ser exercidas sobre um deputado(a) no decorrer do mandato.


Monteiro fala na imunidade parlamentar sobre o ponto de vista contrário, ou seja, o do abuso de tal condição por parte daqueles que se veriam protegidos. É belicoso este tema, pois falamos de corrupção nas mais altas esferas do poder político. No entanto, não podemos de maneira alguma fugir a este tema. Por querer evitar entrar numa onda de acusações [disparadas em todas as direcções] pouco produtiva, limito-me a constatar que a aura de suspeita [que de uma forma ou de outra existe entre nós] é tão ou mais perigosa para a democracia, como a revelação de um caso concreto. Não obstante, fico longe de estar convencido da necessidade de alterar o regime de imunidade parlamentar. Ao reconhecer a existência do “problema”, mais importante do que a solução de Monteiro, parece-me ser o estabelecimento de uma maior transparência a todos os níveis. Essa sim, capaz de influenciar positivamente a aura de suspeição, ao mesmo tempo que reduz a probabilidade de corrupção, reduzindo a margem de manobra.