A candidatura de Fernando Nobre reconhece o atraso de um mês de renda, e não os seis meses avançados pela SIC em entrevista com o senhorio. Aparentemente já na última sexta-feira ficou combinado com o senhorio que a candidatura iria proceder a novos pagamentos.
O que será que aconteceu aos outros cinco meses? De acordo com Fernando Nobre “é óbvio” que “do que se trata não é de pagamentos em falta”, mas sim de “denegrir a candidatura.” Será?
De qualquer maneira, caso seja mesmo um atraso de um mês o meu último post não se justifica.
[Ver Mui Nobre (1)]
domingo, 31 de outubro de 2010
Mui Nobre
O candidato Fernando Nobre há pouco tempo falava na necessidade de rigor na gestão pública:
…e acrescentava…
"…há que repensar tudo isso e ter um saneamento das contas."
Sede de Candidatura
Dois meses depois destas palavras serem proferidas a candidatura de Fernando Nobre deveria pagar 108 mil euros ao senhorio, por 6 meses de renda. Acabaram por pagar 20 mil euros pois aparentemente estavam com problemas de financiamento. Que é como quem diz: Não têm dinheiro para pagar os sonhos que ultrapassam as suas capacidades.
Agora Fernando Nobre corre o risco de perder a sede...
Enfim... Façam o que eu digo e não o que faço...
[Ver Mui Nobre (2)]
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Outras campanhas
Os melhores momentos do período de campanha política em 2010 nos E.U.A.:
Uma candidata que já praticou bruxaria e que durante uma campanha ouvia a voz de Deus...
Um candidato democrata que diz:” Mr Obama could "take his endorsement and really shove it"...
Uma candidata que afirma haverem duas cidades norte-americanas que funcionam sob a Sharia [lei sagrada do Islão]...
“Scratch and sniff” a propaganda política que cheira mal...
Vale a pena dar uma olhada.
Negociações...
Em alturas de Conselho Europeu com a crise e a disciplina financeira na ordem do dia, a Alemanha e França querem apertar o cerco aos países incumpridores com mecanismos de gestão de crises e penalizações, chegando a ser sugerido o retirar de direitos de voto. Sob um clima de revisão do Tratado de Lisboa com vista a disciplina financeira, Lisboa chega sem acordo para o OE e com a pressão dos mercados a aumentar.
As negociações entre PS e PSD foram rompidas com espalhafatosos directos televisivos indicativos do que foi a realidade das “negociações.” As mútuas acusações de falta de disponibilidade para negociar deixam a nu as verdadeiras razões para este desenlace. Não foi certamente uns milhões que provocaram o desentendimento. Foram antes razões políticas, só partidariamente relevantes, as verdadeiras causadoras desta trica. PS e PSD brincam agora à batata quente. Ambos estão disponíveis, ambos esperam que o outro dê o primeiro passo.
Em princípio o OE passará, mas não podemos deixar de lado toda a telenovela política. Para quê criar consensos e trabalhar em conjunto? Reunir com os vários partidos e pensar um orçamento atempadamente com negociações sérias, responsáveis e [necessariamente] demoradas? Não… Vamos antes deixar para as últimas e conseguir um arranjinho com o maior partido de oposição. Isso é que é negociar. Demoradas? Não há nada como tentar resolver o assunto uns dias antes, com umas horas de retórica partidária.
Neste caso, o autismo político do governo só é complementado pela incapacidade dos partidos para pensar além do próximo acto eleitoral. As inflamadas e muitas vezes jocosas declarações denunciam a incapacidade negocial de todos os partidos, bem como a facilidade com que cedem ao oportunismo partidário. Responsabilidade e Sentido de Estado são meras palavras na boca de muitos destes políticos usadas quase exclusivamente para justificar votações. Não é à toa que muitos destes filósofos da democracia só sabem funcionar com maiorias absolutas. Um mal que se estende do poder local, aos corredores de São Bento.
Amanhã Cavaco Silva dará um exemplo da tal “magistratura activa” [o pós magistratura de influência…] de que falava, com o Conselho de Estado apontado no OE. Atitude que também podia ter vindo mais cedo, pois a situação certamente o exigia.
[Imagem retirada de Corridas e patuscadas]
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Pormenores
O desnorte de um governo que deixou arrastar uma situação má de tal maneira que já não sabe onde mais cortar, leva a que no nosso Estado laico um governo socialista proponha no OE a discriminação de todas as religiões em relação à católica [quanto ao pedido de reembolso do IVA].
Erro ou manobrismo político?
Reeditando candidatura
Acabou-se o tabu e Cavaco é candidato. Assim a bem dizer, Marcelo Rebelo de Sousa tomou a liberdade de levantar esse véu há uns dias atrás. Mas o discurso foi ontem e Cavaco optou por uma reedição da candidatura que o levou à presidência.
Em 2005 Cavaco candidatava-se por “imperativo de consciência” não se resignando a uma situação difícil, e com um olho no futuro. Agora candidata-se “por dever” perante uma situação extremamente difícil e pelo futuro de Portugal.
Cavaco apostou na sua experiência e na estabilidade da sua “magistratura de influência” para cativar os portugueses, só é pena que o “Presidente próximo das populações” por mais do que uma vez tenha roçado a altivez:
“Orgulho-me de ser um dos responsáveis políticos que melhor conhece a realidade das diferentes regiões do País.”
“O que teria acontecido sem os alertas e apelos que lancei na devida altura, sem os compromissos que estimulei, sem os caminhos de futuro que apontei, sem a defesa dos interesses nacionais que tenho incansavelmente promovido junto de entidades estrangeiras?”
Em 2005 o candidato Cavaco pediu a suspensão da sua filiação no PSD e não se candidatava contra ninguém, agora Cavaco tem uma candidatura independente de todas as forças partidárias, e: “O meu partido é Portugal.”…muito ao estilo do companheiro Jardim que afirma: “O meu Partido é a Madeira.” São palavras muito bonitas que caem bem no ouvido, mas na verdade o “independente” Cavaco é a candidatura do PSD apoiada pelo CDS-PP, tanto quanto o “independente” Alegre é a candidatura do PS apoiada pelo BE.
Para além da menção ao desempenho irrepreensível [de acordo com o próprio] do seu mandato como Presidente, a grande diferença para 2005 foi o anúncio da contenção na despesa da sua campanha. Em tudo diferente das últimas presidenciais onde Cavaco foi protagonista da campanha mais cara. “Não colocarei um único cartaz exterior” diz Cavaco em jeito de boca a Alegre…
… ou até mesmo a Nobre que pelo menos na sede pensa em grande…
Os restantes candidatos reagiram logo:
- Para Defensor Moura [o socialista que “complementa a candidatura de Alegre”… enfim…] Cavaco traz “zero novidades”;
- Para Francisco Lopes [candidato do PCP] a longa experiência de Cavaco, como PM e PR, foi o que nos trouxe a esta situação difícil;
- Para Nobre [o verdadeiro independente] é necessário "escrever um novo livro, com um novo Presidente da República";
- Já Alegre [candidato do PS], que antecipou-se ao anúncio de Cavaco, a única novidade é que este tem os mesmos apoios de 2005 enquanto ele [Alegre] agora tem mais apoios.
As Presidenciais 2011 já estão em marcha, agora só falta saber se Manuel João Vieira, líder dos Ena Pá 2000 sempre vai ser candidato.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Conta-me contos
A surpresa das surpresas! Ainda nem acabaram as negociações e Passos Coelho já tenta justificar a abstenção do PSD:
Vai ou não vai um tango? Vai pois...
[Imagem retirada de Cidade Solitária]
PNR merece prémio
Em 2010 foram muitos os cartazes políticos que foram aparecendo [ver]. O PCP e BE dominam a paisagem propagandística, mas é o PNR que merece destaque com esta beleza:
Uns porquinhos, uma maminha... produção nacional... lindo.
[Imagem retirada do Politikae Imagens]
domingo, 24 de outubro de 2010
Regionais na Madeira... asseguradas
É com atenção aos “constrangimentos impostos pela situação económica e financeira do país” que a Assembleia Legislativa da Madeira optou por reduzir o seu orçamento 334,5 mil euros. Em nada diferente de um milagre, isto para uma Assembleia que não há muito tempo conseguiu a proeza de ter menos um terço de deputados e praticamente o mesmo orçamento do ano anterior a esse… Não obstante o que não deixou de aumentar foram as transferências para os partidos com uma subida de 5%. Até calha bem porque vai ser ano de eleições regionais e todos os tostões contam.
Não é segredo nenhum que aquilo que é para os grupos parlamentares rapidamente chegará às campanhas eleitorais. E a julgar pelo último chorrilho de multas relativas a 2007, o TC bem que pode censurar, mas de facto o “crime compensa”. As boas notícias são que os madeirenses poderão beneficiar de uma rica campanha em tempo de crise. E afinal, Alberto João Jardim precisa disso… já que a crise não permite a habitual campanha eleitoral recheada de inaugurações, alguém tem que pagar o habitual Tony Carreira...
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Vai uma dança?
Depois do último tango Sócrates e Coelho esforçaram-se por conseguir uma distância higiénica, não fosse voltar o fantasma da falta de alternativas e colagem conseguido em tempos idos… muitas entrevistas, as propostas de revisão constitucional pelo meio, e o aumentar de tensões com o próximo OE no olho.
Em 2009 o OE foi o cartaz eleitoral do governo, em 2010 foi uma ilusão, em 2011 após Pecs, Pics e Pocs, e só porque fingir simplesmente já não funciona, é o despertar [tardio] do governo para a realidade que há muito negava. Nada de anormal, pois para este governo o que agora é certo amanhã é impensável [e vice versa]. Foi assim no défice, nos impostos, na própria realidade… enfim. Com os mercados nervosos e a nossa credibilidade em causa só agora o nosso ministro das finanças consegue ler muito bem os tais mercados. Tal aptidão dava jeito noutras alturas em que se assobiava alegremente para o lado.
Agora na boca do governo estão as “medidas corajosas”, o sentido de responsabilidade, e como sempre não há alternativa às opções do governo. Na mesa de negociações a delicadeza de um hipopótamo, característica deste governo que da maioria absoluta à simples maioria nunca foi fã da democracia. Ao contrário do que vaticinava em tempos Manuel Alegre, Sócrates não tem talento nenhum para governar em minoria… Está tudo muito bem, desde que se faça assim…
Admita-se que é preciso muita coragem para aumentar o preço do leite achocolatado e por aí em diante, ao mesmo tempo que se planeia prosseguir com o TGV, aeroporto e auto-estradas. É preciso coragem para tentar vender a ideia que afogar o consumo e desfraldar o rendimento, não levará a uma economia recessiva. Muita coragem deve-se ter para querer dar lições sobre despesa, enquanto saem estes dados da execução orçamental. Coragem é essencial ao apresentar-se um OE cheio de sacrifícios, e a salganhada de um BPN que vamos acabar por pagar bem para vender. Ora não fosse necessário salvaguardarmo-nos do risco de contágio que na altura apareceu de um momento para o outro [na cabeça do governo e boca do ministro das finanças, claro está].
Mas outros dias se avizinham, o Governo vai negociar o OE com o PSD e apesar dos “cantos gregorianos” da retórica partidária Coelho e Sócrates vão dançar mais um tango, a rumba e a macarena se for preciso. Tomar as rédeas portuguesas agora não dá muito jeito… e não nos esqueçamos que este OE é um imperativo patriótico. Afinal, o governo esforçou-se tanto para reduzir [e não extinguir] a margem de manobra… tanto quanto se esforçou o PSD para navegar o compasso de espera. Só um completo autismo político do PSócratismo impedirá o OE. Já provaram sofrer deste mal, mas dadas as circunstâncias tal cenário afigura-se improvável.
[Imagem retirada de ..mau-maria papoila..]
Em 2009 o OE foi o cartaz eleitoral do governo, em 2010 foi uma ilusão, em 2011 após Pecs, Pics e Pocs, e só porque fingir simplesmente já não funciona, é o despertar [tardio] do governo para a realidade que há muito negava. Nada de anormal, pois para este governo o que agora é certo amanhã é impensável [e vice versa]. Foi assim no défice, nos impostos, na própria realidade… enfim. Com os mercados nervosos e a nossa credibilidade em causa só agora o nosso ministro das finanças consegue ler muito bem os tais mercados. Tal aptidão dava jeito noutras alturas em que se assobiava alegremente para o lado.
Agora na boca do governo estão as “medidas corajosas”, o sentido de responsabilidade, e como sempre não há alternativa às opções do governo. Na mesa de negociações a delicadeza de um hipopótamo, característica deste governo que da maioria absoluta à simples maioria nunca foi fã da democracia. Ao contrário do que vaticinava em tempos Manuel Alegre, Sócrates não tem talento nenhum para governar em minoria… Está tudo muito bem, desde que se faça assim…
Admita-se que é preciso muita coragem para aumentar o preço do leite achocolatado e por aí em diante, ao mesmo tempo que se planeia prosseguir com o TGV, aeroporto e auto-estradas. É preciso coragem para tentar vender a ideia que afogar o consumo e desfraldar o rendimento, não levará a uma economia recessiva. Muita coragem deve-se ter para querer dar lições sobre despesa, enquanto saem estes dados da execução orçamental. Coragem é essencial ao apresentar-se um OE cheio de sacrifícios, e a salganhada de um BPN que vamos acabar por pagar bem para vender. Ora não fosse necessário salvaguardarmo-nos do risco de contágio que na altura apareceu de um momento para o outro [na cabeça do governo e boca do ministro das finanças, claro está].
Mas outros dias se avizinham, o Governo vai negociar o OE com o PSD e apesar dos “cantos gregorianos” da retórica partidária Coelho e Sócrates vão dançar mais um tango, a rumba e a macarena se for preciso. Tomar as rédeas portuguesas agora não dá muito jeito… e não nos esqueçamos que este OE é um imperativo patriótico. Afinal, o governo esforçou-se tanto para reduzir [e não extinguir] a margem de manobra… tanto quanto se esforçou o PSD para navegar o compasso de espera. Só um completo autismo político do PSócratismo impedirá o OE. Já provaram sofrer deste mal, mas dadas as circunstâncias tal cenário afigura-se improvável.
[Imagem retirada de ..mau-maria papoila..]
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Na calada da noite
Vítor Baptista perde umas conturbadas eleições internas para a federação socialista de Coimbra. Eis que surge Na “calada da noite” onde o deputado socialista [entre outras acusações] se insurge contra o chefe de gabinete de Sócrates, André Figueiredo, acusando-o de tráfico de influências: um cargo numa empresa pública à escolha e uma “cenoura” de 15.000 euros mensais em troca de uma não recandidatura.
Vítor Baptista acusa, Sócrates manda uma “boca” ao deputado [saber perder], André Figueiredo processa.
Tal como é apresentada, toda a situação é preocupante, talvez não surpreendente, mas preocupante. Não menos preocupante é a razão pela qual o caso foi exposto. De acordo com o próprio Vítor Baptista, porque perdeu as eleições, pois se as tivesse ganho teria mantido segredo para “preservar o partido socialista”. Para além da aparente atitude ressabiada é de relevar o caminho que muitos estão dispostos a percorrer para proteger os seus partidos e seus cargos políticos, apesar dos vistosos “bons costumes” e da tão mencionada… “honorabilidade”.
Mais uma vez preocupante, mas nem por isso surpreendente…
sábado, 25 de setembro de 2010
Manipulação? Propaganda?
Esta semana falou-se da situação Diário de Notícias e Jornal da Madeira na comissão parlamentar de ética, e como era de se esperar duras críticas foram feitas a Alberto João Jardim.
O Jornal da Madeira [… jornal do governo regional… Madeira Livre II … tanto faz] é na prática o equivalente a um instrumento do ministério da propaganda de Alberto João Jardim. Gratuito [isto é, pago pelo erário público…] e 100% laranja da madeira [há diferença!], este jornal é o mais triste exemplo tendência manipuladora do governo de Jardim, que não se fica pela imprensa escrita [ou sequer pela imprensa]. Dos artigos de opinião às notícias, tudo tresanda a propaganda, e mais uma vez… paga pelo erário público.
O PSD-M bloqueia as discussões sobre a situação da imprensa no parlamento regional. O governo hiper-financia o dito jornal, o governo manda nos conteúdos produzidos. O governo reduz a publicidade oficial quase a zero no DN em benefício do JN, e surgem acusações do uso de métodos ainda mais “reprováveis” para reduzir a publicidade no DN. O DN [anti-jardim] é encostado à parede, o pluralismo vai à fava, e a liberdade de imprensa sangra. Tudo isto com o beneplácito dos sucessivos governos, deputados, partidos e afins.
E agora um momento lúdico… tentar encontrar o querido líder do governo regional nas primeiras páginas do Jornal da Madeira dos últimos oito dias.
Para terminar nada melhor do que o “lema”… ou talvez ameaça… do Jornal da Madeira:
“Se quer viver informado, leia o Jornal da Madeira. Se quer conflitos inúteis, leia e ouça outros.”
...Sublime...
domingo, 15 de agosto de 2010
Multados
Mais uma habitual ronda de multas para os partidos [Acórdão N.º 316/10] , com os Madeira em 2007. O PSD de Jardim lidera a tabela das multas, tendo que pagar 10 mil €. Logo a seguir o CDS-PP e a CDU, com uma multa de 8 mil € cada. Ao PS e BE uma prenda de 6 mil €, e o PND e MPT são presenteados com uma multa de 4 mil e 500 € cada.
Só mais um capítulo na telenovela partidária do “crime compensa”. Ainda assim, o TC foi ameno nas multas, pois os montantes poderiam ser muito mais elevados. Aparentemente o TC considerou como atenuante o facto de estas eleições serem as "primeiras eleições de deputados à Assembleia Regional" a "obedecer ao regime de financiamento e organização contabilística" definido pela lei 19/2003.
Eles é… não reflectir nas contas as contribuições do partido em meios e dinheiro… receber dinheiro para a campanha depois do acto eleitoral… não apresentar descritivos pormenorizados e claros nas facturas de fornecedores… pagar despesas com contas bancárias que não a de campanha… falta de registo ou certificação das contribuições… subavaliação da subvenção estatal… enfim, uma baralhada onde se tenta que caiba tudo. Não obstante, tivemos alguns políticos a reclamar da lei:
“Há determinados requisitos da lei que não são compatíveis com a dinâmica de uma campanha eleitoral, a lei terá que ser alterada” José Manuel Rodrigues [presidente do CDS-PP Madeira]
Deve estar a referir-se à dinâmica da campanha em receber €90.000,00 do partido depois do acto eleitoral…
O TC tem “uma visão demasiado restritiva”…“O BE-M teve o cuidado de apresentar na sua contabilidade todas as despesas efectuadas.” Roberto Almada [coordenador regional do BE]
Até porque o problema do BE estava nas receitas…
“(…) o que está em causa não são ilegalidades acintosas mas irregularidades formais.” João Isidoro [presidente do MPT-Madeira]
Sobre o MPT cito do acórdão: “Não apresentação das contas próprias das actividades de campanha, em violação dos artigos 15º, n.º 1, e 12º, n.º 1, da Lei n.º 19/2003.”
Assim continua o incumprimento sistemático por parte dos partidos no que toca as receitas e despesas de campanha [outro exemplo]. Seja aldrabice, incompetência, ou pura desorganização, há uma coisa que não deixa de ser… um comportamento a não seguir. Nada mau… numa democracia representativa…
[Imagem retirada de froog.com.br]
sábado, 14 de agosto de 2010
Sistema de purga do PS II
Está feito, sem novidade ou exclamação. Narciso Miranda e mais uns quantos têm ordem de expulsão do PS.
Quanto às expulsões o que penso resume-se a isto:
“(…)No entanto não sei o que é pior:
- Se a tentativa de automatizar os militantes;
- Se a admissão de que a orientação de um partido é tão limitada, que oferece sempre uma via, a única para uma pessoa que em plena consciência abraçou um determinado partido;
- Se a ideia peregrina de que perante a decisão, o que eu considero melhor para o país [ou distrito, etc.], ou o que o partido considera ser melhor, um bom militante não pensa por si.
Enfim…” Sistema de purga do PS
Mal ou bem, a prática é comum por entre os partidos [ex: PSD], e estando prevista nos estatutos é também legal. Por causa do pormenor de estar previsto nos estatutos, muito surpreende a atitude de revolta de Narciso Miranda. É caso para perguntar: Estava à espera de quê? Se Kafka consta dos estatutos…
Ainda no mesmo assunto, melhor resposta o PS não poderia dar:
Sejam bem vindos ao quintal de Narciso!
Tabuzinhos de Verão
“Alberto João vai aproveitar as férias no Porto Santo para, seguindo o exemplo de Cavaco Silva (…)” Público
Pois…
[Imagem retirada de nunomalo.com]
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Sobre os chumbos
Agora que pela mão da ministra, Isabel Alçada, voltamos a falar do valor pedagógico da reprovação [PSD, CDS-PP, PCP] importa lembrar que embora não seja necessário inventar o que já existe, a tentativa de um copy paste à la nórdica chocaria com a realidade da educação portuguesa. Isto já para não falar que a fórmula do chumbo só por si não têm nada de pouco pedagógico, desde que os casos sejam sujeitos ao acompanhamento devido. Menos pedagógico [e muito menos justo] será deixar que um aluno, que por qualquer razão não tenha atingido as metas de aprendizagem, transite de ano aumentando cada vez mais a lacuna de conhecimentos entre colegas e a própria matéria. Claro está que tudo isto é conversa se não houver um acompanhamento efectivo e proporcional.
De pouca monta será também o argumento pecuniário dado que devemos estar atentos ao preço por aluno e à redução dos custos, mas não podemos pôr um preço na educação desse mesmo aluno. Até porque 600 milhões de euros na educação batem de longe outros gastos que se vêem por aí. Este será até um caso em que um maior investimento preventivo no aluno provocará uma redução dos factores que levam à maior despesa, eliminando desta forma tal argumento.
Dos chumbos ninguém gosta. Só que o verdadeiro problema não é eles existirem, é eles acontecerem. Antes de dar um salto maior que as pernas, percamos mais tempo a considerar indicadores como as médias negativas dos exames nacionais, e menos tempo a olhar para indicadores que sofreram numa ou noutra altura processos de cosmética, potenciais geradores do novo adulto português qualificado e incompetente. Embora seja reconhecidamente uma característica da governação PSócratista, nisto não basta parecer, é mesmo preciso ser.
[Imagem retirada de AirGun.com.br]
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Interesses estratégicos – Preço: 300 e tal milhões
Há pouco tempo atrás, com um não ao negócio:
“O Governo fez o que devia fazer para defender os interesses estratégicos de Portugal e da Portugal Telecom (PT)”
“E a verdade é que esta proposta não convenceu o Estado, não convenceu o Governo.” O Socialista, José Sócrates
Agora, com um sim a praticamente o mesmo negócio:
“A defesa intransigente do interesse estratégico foi absolutamente essencial para que a PT pudesse fazer um excelente negócio.”
A Oi, uma empresa “com mais clientes e mais facturação”.
A PT aumenta a sua "capacidade para desenvolver projectos de telecomunicações, a capacidade de investimento no mercado global e a capacidade para promover o desenvolvimento tecnológico tão necessário para a economia portuguesa." O Primeiro-ministro de sempre, José Sócrates Socialista
Do PSD reclamam e bem
“Quando temos uma posição coerente sentimo-nos evidentemente confortáveis na explicação das nossas posições, aquilo que percebemos hoje é que não acontece o mesmo com aqueles que decidiram mudar de posição perante um negócio que é basicamente o mesmo que estava a ser negociado há algumas semanas”. Pedro Duarte
Afinal a Golden share não era um instrumento regulatório, era apenas um governo com um matraquilho financeiro. Algo que diz muito quer dos “interesses estratégicos”, quer da maneira de actuar deste governo.
[Imagem retirada de sabetudo.net]
[Imagem retirada de sabetudo.net]
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Política da não notícia
Vamos a meio de uma semana que continua marcada pela proposta de revisão constitucional do PSD, e mais importante ainda, marcada pelo coro de situacionistas da política portuguesa do BE ao CDS-PP que vêem o status quo ameaçado pelo… [tremei]… malfadado liberalismo [UuuuUUUuuuHhhhh…]. O drama de um “mal” que ainda não tem expressão em Portugal. Mesmo com Passos Coelho, um social-democrata [quer queira, quer não]. E do PS, acusações de retrocesso, a destruição do Estado Social, o retrocesso, o mau timing, o retrocesso… mas apesar de tudo até dá jeito ir na onda com comissões para analisar o “pesadelo“ que vem do PSD, ou não fosse útil tirar partido de clichés instituídos para “malhar” no PSD.
A custo de um suposto “preço político” Passos Coelho marcou a agenda política, e a diferença entre PSD e PS [diferença essa que se esbaterá por alturas do próximo tango]. Coelho mantém o ânimo combativo com o mau desempenho das contas públicas de um governo que, seguindo a moda política portuguesa, corta em tudo menos no que deve. Isto para preparar uma boa reentre capaz de sustentar o peso das cedências que eventualmente terá que fazer.
Coelho faz tudo menos embarcar no comboio de Jardim e demais seguidores, que numa prossecução da inimputabilidade política que vive o PSD-M, segue para uma recandidatura de Jardim que ninguém sabe se vai acontecer [pois…]. Uma espécie de parente exuberante do “tabuzinho” da recandidatura de Cavaco... enfim. Depois da sua habitual verborragia na festa do PSD-M, marcada pelo constante esbracejar do Presidente Regional, e pelo “pano de fundo” da musiquinha do PSD, Jardim decidiu “diagnosticar" a justiça em Portugal:
Queixinhas contraproducentes quando não interessam ao Sr. Jardim. Pois quando Sua Excelência decide fazer queixinhas das suas [Jardim processa: o dirigente do PND-Madeira; a PSP Madeira; Carlos Pereira e o DN-Funchal] o “funcionamento da justiça” já não é relevante.
Já que é de justiça que falamos, “A verdade acaba por vir ao de cima”, diz Sócrates sobre o Freeport. E é mesmo verdade… veio ao de cima a verdade de uma justiça castrada e condicionada.
[Imagem retirada de Muambeiros]
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Depois do tango…
… um descanso um reagrupar e reforçar tanto do PS como do PSD, antes das próximas danças. Um quase imperativo da escolha de PSócrates em não escolher um par para o seu governo minoritário. Agora na hora do baile tem de dançar na AR com quem estiver disponível, sujeitando-se a quem não queira dançar a música no mesmo compasso.
Passos Coelho quer agora uma distância higiénica do PS, daí as entrevistas, daí as propostas de revisão constitucional, daí as ameaças para o próximo OE. Fecha-se no PSD e recupera, antes da próxima dança. Eleições? Ninguém as quer. Este comportamento faz parte do ritmo político. Das propostas de revisão constitucional, o Parlamento a designar os reguladores sob proposta do Governo, o aumento dos mandatos do Governo e do Presidente da República, uma mexida nos poderes do PR, e a introdução de um mecanismo de moções de censura construtiva. Volta o OE, volta o tango, pois Passo Coelho apenas mostra dentinhos, e testa o ar. Contra, esta posição os dramas existenciais do PSD de Santana Lopes, e melhor ainda, Francisco Louçã que não consegue evitar a “brilhante” comparação com a Namíbia ou o Burkina Faso … enfim. Já do CDS-PP o aproveitar da deixa para repisar o “corajoso” golpe mediático do executivo de coligação.
“Era finamente irónico e contraditório Pedro Passos Coelho criticar como ‘arranjinho’ a declaração corajosa de Paulo Portas” Nuno Magalhães
Passos Coelho diz que quer mas não faz. Um pouco demagógico, mas não deixa de ser verdade. A última coisa que Coelho queria agora era uma “moção de censura construtiva.” Entretanto o socialista reconvertido Sócrates reverte para as tácticas de sempre (a cabala), e acusa o PSD de “estratagema constitucional” para aumentar a instabilidade política. Tal como a restante oposição, o PSD já percebeu que é muito mais fácil deixar o PS afundar em si mesmo. A propósito, o cheque bebé (supostos 200 euros) que afinal é preciso “reavaliar”, e Helena André a tentar correr mais rápido do que os sindicatos.
[Imagem retirada de fortnet.org]
Um Candidato
Defensor de Moura (deputado do PS) será mais um candidato “da esquerda” unida de forma desunida contra a “candidatura de direita” de Cavaco.
“A minha candidatura vai complementar a de Manuel Alegre. Os meus adversários não serão nem Manuel Alegre, nem Fernando Nobre, mas a candidatura de direita de Cavaco Silva” Defensor de Moura
É interessante a ideia de uma candidatura para seja lá o que for que venha complementar outras candidaturas, mas não é mais interessante do que uma candidatura que tem como objectivo forçar uma segunda volta [caso não haja um candidato que obtenha mais de metade dos voos validamente expressos], pois assim não será certamente uma candidatura… assemelha-se mais a uma tentativa barata de manipulação eleitoral.
Muito mais do que um problema a Cavaco, Defensor de Moura cria um problema ao PS e em última análise à esquerda que tanto quer defender. Quanto aos princípios democráticos… já estão habituados aos atropelos partidário-ideológicos.
[Imagem retirada de larevmil.wordpress.com]
domingo, 18 de julho de 2010
Vencimento político
Continua a redução do vencimento dos políticos [e afins], uma medida que vale mais pela sua “posição moral” do que pelos resultados imediatos da sua aplicação. Convenhamos que esta não é a única medida mensurável através dos resultados qualitativos da sua intenção, e por conseguinte não necessariamente quantificáveis. Ser ou não hipocrisia fazê-lo torna-se irrelevante, por sê-lo simplesmente necessário. Um sentido de justiça social pede que assim seja, tanto quanto a credibilização de uma imagem da política desgastada por anos de partidarismos e ensimesmamentos, assim o requer.
Com ensimesmamentos em mente, da parte do Sr. Jardim que é como quem diz do PSD-M, recusa-se a fazer descer os salários dos políticos na Madeira. Nada de espectacular pois a palavra de ordem na política madeirense nunca foi dar o exemplo. Assim o Sr. Jardim continua a usar e abusar da Autonomia Regional em tudo o que tem a haver com os interesses de alguns [que são sempre os mesmos].
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Da semana
Damos entrada em mais uma semana de política espectáculo. Com um olho nas presidenciais o PSócratismo vira à esquerda. Com dois olhos no poder Passos Coelho respira social-democracia.
Sócrates não deixa de ser Sócrates, Coelho não deixa de ser Coelho, e a política Sócrates-Coelho, essa também se mantém “unida”. Pelo meio o fumo negro da golden-share, das scuts, e da conversa… muita conversa.
MCultura no seu melhor
Jorge Barreto Xavier, director-geral das Artes, demite-se do cargo alegando “divergência” com a Ministra da Cultura. Cortes no financiamento, divergência na orientação a seguir… Compreensível, coerente.
Menos compreensível, mas ainda coerente, o Ministério da Cultura num acto de ressabiamento político:
Barreto Xavier a grande pedra no sapato do Ministério da Cultura, o obstáculo, a barreira, o ineficaz, a fonte dos problemas… enfim… se o drama era tanto assim, o que dizer do constrangimento de Gabriela Canavilhas em tomar a liberdade de fazer o que Barreto Xavier acabou por fazer. Estranho no mínimo.
São coisas da vida, coisas do Governo PSócratista, daí a coerência…
Barreto Xavier, continuou a saber como agir escusando-se de merecidamente qualificar o comunicado do MC.
terça-feira, 29 de junho de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
Jardim fala…
…sobre a promulgação do PR à lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo:
Decadente? Degeneradora? … Epa enganei-me. Afinal decidiu falar do seu governo e do PSD-M.
Casamento cresceu
O Presidente da República acabou por promulgar mesmo o diploma que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Foi claramente contra as suas convicções pessoais, algo que ainda dá mais força à decisão de Cavaco, enquanto decisão “presidencial”. A meu ver só é pena que Cavaco deu a entender que fê-lo por causa da situação do país. Caso contrário teria enviado o diploma de volta ao parlamento.
Sendo a favor do casamento homossexual, compreendo a posição de quem é contra. Têm os seus argumentos… os valores, a família, enfim… não concordo, mas compreendo. Agora, não deixa de me parecer hipocrisia aqueles [como Cavaco] que dizem que concordam com o direito mas querem que se lhe dê outro nome. União Civil Registada por exemplo.
[Imagem retirada do O Indesmentível]
Preocupações na educação
Bruna Real, de 27 anos, responsável pelas actividades extracurriculares na escola básica de Torre Dona Chama, foi afastada das suas funções pela Câmara Municipal de Mirandela porque pousou nua na “Playboy”. A professora passa a trabalhar no arquivo municipal da autarquia.
“365 Piadas Novas”, um livro da editora Civilização para crianças, continha uma anedota que criou algum desagrado por entre professores.
Foi retirada pela editora.
Então…:
- Bullying nas escolas;
- Alunos que chegam ao ensino superior muito pouco preparados;
- Mentalidade da memorização a perdurar;
- “Novos estilos” de facilitismo com um ensino “divertido” a todo o custo, e um ensino onde o aluno passa na “secretaria” a quererem vingar;
- Indisciplina a crescer por falta de autoridade dos professores, uns porque não lhes são dadas condições para tal, e outros porque não sabem e/ou nunca aprenderam a adquiri-la [a autoridade numa sala de aula não se tem, ganha-se].
...e a preocupação de alguns é com a professora que foi nua para a “Playboy” e com a anedota da vaca no livro de crianças.
Pois é… Censurem antes a estupidez e será meio caminho andado.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Homem da semana
Pois é. Tão simples que seria precipitar eleições, ganhar eleições, e apanhar os cacos do governo propaganda PSócratista. Tomar de assalto o governo, minar a credibilidade da política portuguesa [se é que isso é possível], para chegar e tomar as mesmas decisões de agora, bem como carregar com o ónus dessa decisão. Seria blá blá… o anterior governo… blá blá… as contas… blá blá… Portugal e os Portugueses… blá blá… subir impostos… c/sinto muito [apertado]… Um autêntico Sócrates quando chega a governo.
Claro está que depois também não poderia repetir coisas como:
Coisas dessas também eu digo:
Se eu tivesse sido contra o aumento de impostos durante a campanha interna do PSD e tivesse feito tanto alarido por causa do PEC, não viria agora defender e fazer o oposto.
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