quarta-feira, 3 de março de 2010

Debate Coelho-Rangel


Começa agora o ciclo de renovação do PSD, com três candidatos já há muito na ofensiva. Tendo em conta o normal tom das contendas laranjas, podemos esperar tempos humorísticos.


Pedro Passos Coelho foi o primeiro candidato e já possui uma “rede” de apoios e apoiantes [fruto das últimas eleições no PSD], bem como uma estratégia bem definida [que na sua forma é um tanto ou quanto Obamizada]. Rangel por outro lado saiu da actual direcção como o herói das europeias, e apresenta-se como a alternativa a Coelho e à actual direcção, porém ainda não conseguiu cimentar o seu lugar de candidato no que toca a apoios. Depois temos Aguiar-Branco um candidato por direito próprio, mas que não deixa de ser um herdeiro da direcção de Ferreira Leite, e como tal, um herdeiro da “elite” do PSD.


Este primeiro debate expôs desde logo as estratégias de cada um dos candidatos. Coelho tentou colar Rangel à actual direcção, e Rangel devolveu a cortesia colando-o à governação socialista. Vimos um Rangel demasiado confiante e desde inicio mais agressivo, munido de presentes armadilhados que ia deixando aqui e ali. Passos Coelho por outro lado, estava seguro e assertivo, deixando o tom agressivo do seu discurso escalar lentamente, ao longo da conversa. Não deixou de relevar o seu longo currículo no PSD, algo que deixa Rangel sem resposta, nem de dizer para Rangel que “faltar um compromisso eleitoral do ano passado, não é a melhor maneira de começar”.

Já no final as coisas começaram a aquecer com Passos Coelho a se eriçar. Rangel falava sobre deixar o Parlamento Europeu caso venha a ser líder do PSD, e Passos Coelho diz: “essa é uma das rupturas que vai fazer”… Rangel picou-se e urgiu ao adversário que não terminasse o debate com remoques. O que Rangel não sabia era que aquele foi um pré-remoque, o verdadeiro veio no finalzinho e acompanhado do dedo indicador de Passos Coelho: “Eu contarei convosco como os senhores não quiseram contar comigo.” [Remoca lá esta… deve ter pensado Coelho]. Uma derradeira hostilidade, para militante ver, que chapa na testa de Rangel tudo o que muitos militantes não gostam da actual direcção. A partir daqui houve um clique e o debate passou a capoeira nos últimos segundos.

Apesar do bom desempenho de Passos Coelho, Rangel não teve propriamente mal, e nestas coisas, o vencedor depende mais de quem vê. Já para não falar que cada candidato sabe a que militantes estão a apelar. Teremos agora mais debates que serão interessantes, porém o congresso do PSD é a arena principal desta disputa, e onde serão afincadas posições. Até lá Rangel prosseguirá com a sua ruptura e Coelho com a sua mudança.

[imagem retirada de Alegria Breve]

Inquira-se


Audições e tal, acabamos por chegar à comissão de inquérito, uma solução mais centrada que não terá as dificuldades da demasiada abrangência revelada pelas audições na Comissão de Ética, onde já cabiam todos os muitos assuntos.

Justifica-se uma comissão de inquérito, até porque as recentes audições só serviram para manter o peso da suspeição. Assim, o PSD alia-se ao BE na proposta e teremos uma comissão, sem oposição do PCP ou do CDS-PP. O objectivo será o de deslindar se o governo teve ou não alguma intervenção na questão da intenção de compra da TVI, e se o PM mentiu ao parlamento quando disse que nada sabia.

Sobre este assunto resta esperar...

terça-feira, 2 de março de 2010

Recomenda-se telenovela


Jornalismo da não notícia no “I”, aparentemente por “amor bloguístico”. Haja paciência…

Ver no “I”.

Ver no Jumento.


Já que a capa do “I” faz parte do tema, “Facebook, os grupos que odeiam tudo:” é cá uma boa notícia…




[Imagem retirada de blog.fractura]

segunda-feira, 1 de março de 2010

Calamidades


Como tantas vezes acontece, a calamidade que atingiu a Madeira teve efeitos políticos. Foi decretado fim da “crise” das finanças regionais, com o recuo do PS [já não envia o pedido de fiscalização preventiva ao T.C.]. Afinal, perante uma catástrofe, teatro político nunca fica bem. Entretanto Sócrates e Jardim enterram o machado de guerra na solidariedade portuguesa, e a ilha recupera.

Alberto João Jardim em directo no Jornal da Noite da TVI:



Hum… Jardim anda a fermentar uma recandidatura [permissão para me fingir de surpreendido]…

Numa nota mais partidária Jardim aproveitou para agradecer a Passos Coelho:

“Eu tenho respeito pelos meus adversários quando eles também são leais comigo, eu perdoo, mas não esqueço facas nas costas. (…) Eu ainda sou do mesmo partido do senhor Passos Coelho, foi até agora a única figura que não teve uma palavra de solidariedade com os madeirenses”.



domingo, 21 de fevereiro de 2010

Luto


Como perante catástrofes como aquela que se abateu sobre a Madeira as palavras tornam-se inúteis, sigo o exemplo do governo com o Politikae e Politikae Imagens a cumprirem 3 dias de luto, onde não serão publicados quaisquer posts. 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Assim vamos

De flash mediático, e manobrismo político vive um primeiro-ministro, e um PSócratismo que já há muito perdeu a mão sobre o andar das coisas.

Reuniões de órgãos nacionais do PS, mantendo de pé a mística de um reboliço de fundo que anima a névoa propagandística. Um apelo à unidade de um PS que se fez Sócrates e que agora respondeu à medida. As vozes dissonantes são rapidamente abafadas pela enxurrada rosa-socratista [e por aqueles que nela são apanhados \ 1; 2; 3; 4; 5; 6; 7; 8]. Objectivo: apagar o fogo selvagem que se propaga pela imagem do primeiro-ministro. Fogo posto é verdade, mas acima de tudo, fogo alimentado pela obsessão do governo socratista com a comunicação social.


Criou-se o frenesim… uma declaração política em horário nobre… um PM que num tom sóbrio e preocupado, não acrescenta a ponta de um chavelho. Limita-se a repetir o que já foi dito e deixa transparecer uma confusão de prioridades entre o que é o país real, os problemas reais e o que são os desvarios do combate partidário.

Por entre as reacções dos partidos destaco a do CDS-PP que defende “uma moção de bom senso”, pois parece que isso é mesmo o que falta.

[imagem retirada daqui]

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Habemus Vice no BCE


Vítor Constâncio foi finalmente nomeado para a vice-presidência do BCE.  Hum… um português que vai substituir um grego no BCE… Quase poético…

Enfim, como já antes tinha dito:



Teixeira dos Santos fala em motivo de orgulho, Sócrates em êxito da diplomacia portuguesa… com menos propaganda à frente podemos falar em “equilíbrio geográfico” [1; 2] , mas a deles também está boa…


Daqui a 3 meses e picos ficamos sem governador do Banco de Portugal, o que significa que alguém terá que o substituir. O CDS-PP já sugeriu um governador "sem qualquer filiação partidária”. Com o drama que o PSócratismo passa agora com planos secretos e nomeações tentaculares, presumo que é do interesse do governo pôr lá alguém independente, credível [blá, blá]… mas hoje em dia, já espero tudo.


Por mim o Banco de Portugal fica mesmo sem governador. Poupa-se num salário bem chorudo, e com o cargo ocupado por ninguém… bem… será como se Vítor Constâncio nunca tivesse saído.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Cerrar fileiras

Primeiro a petição Todos pela liberdade [anti-sócrates].

Agora o Manifesto Pela democracia [pró-sócrates].

Não tarda nada e lanço uma petição, Pela Moralização da Vida Política
                                                                 [indiferente a Sócrates, anti-partidocracia do tipo corporativista]

Como postei um... agora posto o outro...

Pela democracia, nós tomamos partido


"Vivemos tempos que impõem uma tomada de posição. O que se está a passar em Portugal representa uma completa subversão do regime democrático. Os sinais avolumam-se diariamente e procuram criar as condições para impor ao país uma solução rejeitada nas urnas pelos portugueses.

Com base numa suposta preocupação com a «liberdade de expressão», que não está nem nunca esteve em causa, um conjunto de pessoas tem fomentado a prática de actos nada dignos, ao mesmo tempo que pulverizam direitos, liberdades e garantias. É preciso recordar: à Justiça o que é da Justiça, à Política o que é da Política.

Num País, como o nosso, em que os meios de comunicação social são livres e independentes, parte da imprensa desencadeou uma campanha brutal contra um Primeiro-Ministro eleito, violando a deontologia jornalística, as regras do equilíbrio democrático e as bases em que assenta um Estado de Direito, em particular o sistema de justiça. Reconhecemos, e verifica-se, uma campanha diária, sistemática e devidamente organizada, que corresponde a uma agenda política contrária ao PS e que se dissolve tacticamente na defesa de uma suposta liberdade cujos autores são os primeiros a desrespeitar.

Não aceitamos ser instrumentalizados por quem pretende que um Primeiro-Ministro seja constituído arguido nas páginas dos jornais, tal como já aconteceu noutras ocasiões num passado recente, alimentando um chocante julgamento popular que tem por base a violação dos direitos individuais e a construção de uma tese baseada em factos aleatórios, suspeições e vinganças pessoais.

Defendemos o interesse público e o sistema democrático para lá de qualquer agenda partidária. Os primeiros signatários são militantes do PS mas redigem este manifesto na qualidade de democratas sem reservas, abrindo-o a todos os portugueses que queiram associar-se a um repúdio público pelo que se está a passar. Recusamos esta progressiva degenerescência das regras do Estado de Direito e não aceitamos que se procure derrotar por meios nada lícitos um Governo eleito pelos portugueses, nem tão pouco que se procure substituir o sistema de Justiça por um sistema de julgamento mediático.
Pela democracia e pelo respeito da vontade popular, nós tomamos partido."

Se a tua mãe fosse lésbica…


Casamento homossexual e tal e coiso… o drama… veja-se lá bem que há pessoas que querem ter direitos… tsc, tsc… o que vale é que já há portugueses que estão determinados em acabar com essa coisa de não discriminação. Em “boa hora” a plataforma cidadania casamento está a promover uma concentração no Marquês de Pombal, pelo casamento e pela família.

Que coisa mai linda!!! … pelo casamento e pela família… mui nobre motivo levará ao Marquês cidadãos preocupados com os “valores da família”… estou tão a favor desta concentração que até proponho um cartaz:


Brincadeirinha… E como a vida é feita de coincidências [pois…] a Ilga lançou agora uma campanha:

Neste caso só tenho uma dúvida, porque raio anda a Câmara Municipal de Lisboa a apoiar esta campanha? Não têm mais lugar onde gastar o dinheiro?

Nos entretantos lê-se por aí muita coisa sobre este cartaz. Por exemplo no blogue “Cachimbo de Magritte ” Paulo Marcelo escreve:


Talvez não… diria até que Paulo Marcelo estaria aqui… a mudança é que não estaria a escrever esse post e respeitaria a opção da sua mãe.

Bom, bom é usar o exemplo Africano e aplicar logo a pena de morte a quem não se compadece com moralismos de bancada, e acha-se livre para optar qual a sua orientação sexual e como deve levar a sua vida…


Fico-me com uma noção de família [A ver: A família democrática]

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Stand up comedy na Assembleia


Falava Afonso Candal [PS] no encerramento do debate na generalidade do OE 2010, e enquanto discorria sobre a obra do governo nos últimos 5 anos o discurso passou a um número de stand up [que surpresa]. Algures entre o país periférico e a necessidade da ligação de comboio ao centro da Europa para que as pessoas venham cá, Manuela Ferreira Leite não conteve o riso


Candal continua e decide mandar uma piadola a Ferreira Leite:
“Os dias que se aproximam serão de maior entusiasmo para vossa excelência”

E deverão ser… com 3 candidatos confirmados e um ainda a recolher assinaturas o maior entusiasmo é saber que não há dúvida que o PSD já não vai estar nas suas mãos. Esta é a Manuela mais leve.

Como Afonso Candal estava inspiradíssimo conseguiu arrancar ainda mais umas gargalhadas. Enquanto falava sobre o tema das energias renováveis, decidiu relevar o potencial do “Sol” [eh!eh!]… para Portugal.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Demagogia positiva


Cortar nos salários dos políticos, sugere o CDS-PP e propõe:


O primeiro-ministro não se importa de reduzir o seu salário, porém já veio dizer: "não estou de acordo com medidas que apenas têm efeitos morais".


Reduzir salários a políticos locais, regionais e nacionais, gestores de empresas públicas, uns 5 ou 6 milhões. Junte-se a esse esforço cortes nas regalias e outros apertos de cintos [popós novos topo de gama, 3 assessores para segurar um papel, etc] . Mais uns milhõezinhos não é? E se formos apertar a maminha da vaquinha Estado destinada aos partidos [Ex: 1] com certeza que conseguimos espremer mais uns milhões…


Demagogia ou não, menos uns milhões [já alguns], menos despesismo… nada a perder.

Movimentações

Requerimento do PSD aprovado pela oposição trará à AR várias personalidades a audições na comissão de ética, sob o tema liberdade de expressão O PS votou contra pois tinha um problema com texto… acredito que sim… “dificuldade de convivência” do Governo com a “liberdade de imprensa e a liberdade de expressão”, deve causar sentimentos adversos na bancada socialista.



A coisa do Sócrates não fala para não “pactuar com o crime” torna-se o discurso do PSócratismo. Assis na mesma linha, acrescenta que “Nenhum primeiro ministro de nenhum país democrático aceitaria uma situação desta natureza: dar explicações sobre esse tipo de conversas.” Pois é. Só é pena que pelo andar da coisa, já está a ser posta em causa a justiça, perante os cidadãos, e Portugal perante a Europa. O clima de pressão que se vive por terras da comunicação social, denuncia a inaptidão do primeiro-ministro em conviver com o contraditório [quanto mais com um governo minoritário em democracia].

Temos partidos e políticos a aproveitarem-se da situação? Temos pois. Acontece que não foram esses partidos a criar a situação. Aproveitam-se tanto quanto o próprio PS já se aproveitou de outras situações no passado. Paulo Rangel por exemplo usou, e se me permitem, abusou levando o tema para o parlamento europeu.

“Portugal já não é um Estado de direito”.

Ao ser um euro deputado a trazer um problema nacional desta natureza ao parlamento europeu [e desta maneira], confere-lhe desde logo uma dimensão que não abona a favor de Portugal. Algo que já foi relevado pelos socialistas europeus. O que torna a atitude de Rangel pior é que esta tinha como objectivo um impacto na agenda política portuguesa. De todos os objectivos que poderiam motivá-lo [fragilizar o governo, ajudar o PSD,…], o euro deputado teve o condão de escolher o que menos justifica cravar mais um prego imagem portuguesa: avançar a sua carreira política, ou seja montar o palco para o retorno do herói das europeias, montado no seu melhor cavalo de combate para conquistar o PSD e o país. O candidato Rangel volta para “fazer oposição ao senhor Sócrates” .

Ainda parte do conflito interno do PSD, Aguiar-Branco [já candidato] rapidamente se demarcou da intervenção do seu companheiro no parlamento europeu, deixando para as audiências na comissão de ética o “escrutínio”.

Do lado do PS a “perseguição” da oposição de que tem sido “vitima” tem trazido ao de cima os melhores exemplos de eloquência do partido. Neste caso, Renato Sampaio [líder da distrital do Porto].


Enfim…

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Primeiro lugar


Aqui está a taça.



Todos pela liberdade

Petição

Para:Presidente da Assembleia da República, Dr. Jaime Gama


O primeiro-ministro de Portugal tem sérias dificuldades em lidar com a diferença de opinião.
Esta dificuldade tem sido evidenciada ao longo dos últimos 5 anos, em sucessivos episódios, todos eles documentados. Desde o condicionamento das entrevistas que lhe são feitas, passando pelas interferências nas equipas editoriais de alguns órgãos de comunicação social, é para nós evidente que a actuação do primeiro-ministro tem colocado em causa o livre exercício das várias dimensões do direito fundamental à liberdade de expressão.

A recente publicação de despachos judiciais, proferidos no âmbito do processo Face Oculta, que transcrevem diversas escutas telefónicas implicando directamente o primeiro-ministro numa alegada estratégia de condicionamento da liberdade de imprensa em Portugal, dão uma nova e mais grave dimensão à actuação do primeiro-ministro.

É para nós claro que o primeiro-ministro não pode continuar a recusar-se a explicar a sua concreta intervenção em cada um dos sucessivos casos que o envolvem.

É para nós claro que o Presidente da República, a Assembleia da República e o poder judicial também não podem continuar a fingir que nada se passa.

É para nós claro que um Estado de Direito democrático não pode conviver com um primeiro-ministro que insiste em esconder-se e com órgãos de soberania que não assumem as suas competências.

É para nós claro que este silêncio generalizado constitui um evidente sinal de degradação da vida democrática, colocando em causa o regular funcionamento das instituições.

Assistimos com espanto e perplexidade a esse silêncio mas, respeitando os resultados eleitorais e a vontade expressa pelos portugueses nas últimas eleições legislativas, não nos conformamos. Da esquerda à direita rejeitamos a apatia e a inacção.

É a liberdade de expressão, acima de qualquer conflito partidário, que está em causa.

Apelamos, por tudo isto, aos órgãos de soberania para que cumpram os deveres constitucionais que lhes foram confiados e para que não hesitem, em nome de uma aparente estabilidade, na defesa intransigente da Liberdade.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Vicissitudes



Alguém que avise o governo... eles que se preparem...


Alguém que avise o governo... construam-se mais dez para o mundial [pelo menos metade com acesso ao TGV]...

"Fernando Ruas quer aumentar limite de velocidade em avenida onde já foi multado"

Alguém que avise os policias... que multem mais políticos.

BCE vai ficar mais rico



Aparentemente a ida de Constâncio para vice do BCE está assegurada por Berlim. Uma movimentação que "ajuda" a ida de Alex Weber [presidente do banco central alemão] para a presidencia do BCE em 2011. 



Queria manifestar aqui o meu constante apoio a esta nomeação.



Que vá para o BCE que já vai tarde... receber balúrdios para não fazer nada, ao menos que vá para longe...



Plano rosa relâmpago

O “Sol” transcreveu extractos do despacho do juiz de Aveiro responsável pelo caso Face Oculta, onde este considerava haverem “indícios muito fortes para a existência de um plano…”






Exposto o alegado plano, Pinto Monteiro [PGR] abre um inquérito à divulgação de escutas [prometendo consequências jurídicas], para Marinho Pinto"alguns magistrados deixam-se envolver pelas paixões políticas", o advogado de Vara acha "ridículo", Paulo Penedos “autoriza” divulgação das escutas, Sócrates fala em “jornalismo de buraco de fechadura“, e Cavaco em respeitar a “liberdade de expressão e o pluralismo da comunicação social”.

Do lado dos partidos o PCP exige esclarecimentos, o CDS-PP acompanha com preocupação, e o PSD ataca com um pedido de análise à Comissão de Ética ao problema da liberdade de expressão, que envolva ouvir a ERC e os jornalistas.


Francisco Assis [dono de duas intervenções fantásticas (IF) esta semana] já veio falar em defesa do seu líder, considerando que estes “não passam de problemas colaterais” [1º IF], e que a liberdade de expressão não está em causa. Por mim opto por encarar suspeitas de violação de direitos constitucionais, como um problema sério. A suspeita da presença de tais indícios, junto com o conhecimento de que esta não originou qualquer procedimento e levou à destruição das escutas, é de certa maneira perturbador se não for mesmo atentatório ao nosso Estado de Direito. Mais uma vez, um problema sério.


Voltamos outra vez ao fumo, demasiado fumo, para que não haja fogo. Para PSócrates a táctica continua a ser o malabarismo político e o nevoeiro propagandístico, porém a clara pressão em que se encontra a comunicação social não passa de uma expressão mais visível daquilo que se desenrola todos os dias em Portugal, ou seja, o tráfico de influências enquanto instrumento de eleição para muitos [seja qual for a sua cor].

Esta conversa fez-me lembrar de Alberto João Jardim [vá se lá saber porquê], que aproveitou a “semi-derrota” do governo nas finanças regionais, contra uma oposição unificada, para defender um “compromisso histórico para libertar Portugal do PS”. Um lindo sentimento, porém não me parece que as coisas se encaminhem nessa direcção. Mesmo se tivermos em conta certos desesperos para justificar o injustificável.

Por desesperos refiro-me a isto:

Bloco de Esquerda - "ala esquerda parlamentar de Alberto João Jardim". Francisco Assis [2º IF]

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Contas sinuosas

O timing do TC pode não ter sido o melhor, mas cá está...



Os grupos parlamentares têm agora até 26 de Fevereiro para apresentarem os respectivos comprovativos, que segundo o conselho de administração do parlamento deverão ser “encargos de assessoria, contactos com os eleitores e outras actividades no âmbito da actividade parlamentar.” Curioso, não diz nada sobre cartazes



Os exemplos dos comprovativos deverão ser:

Ida para Santana – contacto com eleitores: 20 000 euros.

Fotocópias: 58 000 euros.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Crise na cabeça do governo

Com o OE 2010 ainda em discussão, e com o passar do tempo revela-se cada vez mais a inaptidão do governo PSocratista para governar em minoria, bem como a transição completa do PS para PSócrates. A revolta das finanças regionais ressurge [vamos lá ver se nas finanças locais não acontecerá o mesmo], com resquícios das lutas de 2007 contra o absolutismo PSócratista, com pressões vindas da Madeira, alimentada pelo cheirinho de vingança partidária de uns e incapacidade governativa de outros.


Na antecipação do drama [mais um…] finanças regionais e passado que estava a questão da “validação” do OE 2010 pela oposição, iniciaram-se as negociações. O PS mantém uma intransigência constante, e o CDS-PP ressalta do processo [mais uma vez] com uma nota muito positiva. Na sua última movimentação negocial o PS propõe um adiamento, apoiando a imperiosidade do mesmo na sua interpretação do resultado do Conselho de Estado [1;2] O que não deixa de ser engraçado. O adiamento é chumbado, e acaba por ser aprovado por toda a oposição um limite de endividamento para as regiões autónomas em 50 milhões para 2010, limite esse que pode ou não ser usado. Os Açores, por exemplo, já disseram que não o vão utilizar, aliás, César vai inclusivamente requerer a inconstitucionalidade do novo diploma. Uma proposta do CDS-PP que mesmo assim está muito longe da inicial proposta do PSD, espera agora a aprovação na AR.

Para todos os efeitos, Portugal tem a sua credibilidade externa afectada, algo exponenciado pelas infelizes declarações de Almunia [Comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários], pela evolução dos juros da divida pública portuguesa, e pela descida abrupta da bolsa portuguesa.
A brilhante solução do governo PSócratista é juntar à mistura largas doses de instabilidade política. Vultos de possíveis demissões ministeriais, reuniões urgentes de última hora com lideres partidários na casa oficial do PM , a governabilidade posta em causa por um ministro ... no fundo nada de mais. Isto se tivermos em conta que o próprio ministro das finanças depois de uma tentativa de acalmar a situação portuguesa [à tarde], vem agitar ainda mais as águas [à noite] numa tentativa quase desesperada para encostar a oposição à parede, forçando desta forma o chumbo. A intervenção de Teixeira dos Santos até foi simples: O drama; Madeira; o caos orçamental; Madeira; um esforço orçamental perdido num aumento do endividamento; Madeira; tudo isto se a oposição aprovar esta lei.

Quem o ouviu até poderia pensar que o “continente” está a dar dinheiro à Madeira, que não dá nada aos Açores, e que o dinheiro que está em discussão põe em causa ou é sequer relevante para o OE 2010. Poderia pensar isso, mas estaria errado...

Amanhã continuará com certeza a crise artificial criada pelo governo PSócratista, num autêntico nevoeiro político propagandístico que visa o desfocar da atenção pública. Para além do mais, está agora preparada a brecha que justificará possíveis actuações do governo para conter o défice, consideradas negativas pela opinião pública. Afinal… a madeira levou o dinheiro todo… não é? O problema não foi nosso…

Veremos também se todo o drama existencial do governo verterá ou não para a discussão do OE 2010 na especialidade.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Voyeurismo fiscal

Ontem 3 deputados do PS [todos vices da bancada] avançaram com uma “semi-proposta”, o levantamento parcial do sigilo fiscal. Parcial porque não contemplaria o imposto pago, nem as despesas reembolsáveis, mas o rendimento bruto de todos os cidadãos estaria disponível na internet. Uma medida preventiva…



Paulo Portas: “strip-tease fiscal


Francisco Louçã: “coscuvilhice fiscal



 
Porém Francisco Assis, líder da bancada parlamentar do PS, cortou as perninhas à meia proposta preventiva de voyeurismo fiscal na internet. Os três mosqueteiros continuam vices e o PS deixa cair a proposta.

Todos ficam felizes. Incluindo Portugal que não tem de lidar com a tal semi-proposta.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Mar e Serra

Eis que se desenrola mais um capítulo na conturbada relação entre o governo PSócratista e a comunicação social. Processos judiciais, telejornais que acabam, directores mudados, acusações de influências, enfim, um longo rol de situações e situaçõezinhas que denunciam a preocupação quase doentia do primeiro-ministro com a comunicação social. Se bem que o inverso também poderá ser verdade. Acontece que agora já há demasiado fumo para que não haja nenhum fogo.



Mário Crespo vê recusada a publicação no JN de um texto onde pretendia denunciar a conversa que supostamente teve lugar num restaurante em Lisboa entre Sócrates, Silva Pereira, Jorge Lacão, e um “executivo de televisão”. Nessa suposta conversa Crespo foi retratado como um “louco”, um “profissional impreparado”, e aparentemente "era preciso solucionar o problema Mário Crespo e Medina Carreira". O recato foi tanto que acabou por originar e-mails para o jornalista a relatar a suposta conversa.

Mário Crespo deixa de escrever para o JN, e por obra e graça do divino Espírito Santo o texto aparece publicado no site do Instituto Francisco Sá Carneiro. Montado que está o circo surgem as actuações.

O sindicato dos jornalistas reage a uma alegada conversa num restaurante, confirmada via e-mail.

Uma fonte do Ministério dos Assuntos Parlamentares diz que "o Governo não se ocupa de casos fabricados com base em calhandrices".

Rangel grita censura.

Mais prudente o BE pede o envolvimento da ERC.

Nuno Santos [director de programas da SIC], ou o “executivo de televisão” que estava no restaurante já veio dizer que a conversa não se passou da forma como é descrita por Crespo. Nos entretantos ainda esta semana será editado um livro do jornalista, com o prefácio de Medina Carreira, onde esta história será o tema central. Isto é juntar o útil ao agradável [qual será o agradável?].


Após o assunto ter sido tornado público a ERC recebeu 3 queixas que os levou a abrir um processo de averiguações. Espero pelo desenrolar do processo, mas não deixo de pensar que o governo PSócratista é demasiado… digamos “fixado” na comunicação social, porém a partir do momento que começamos a dar demasiada importância ao e-mail da pessoa que ouviu a conversa do não sei quê no restaurante x … enfim… deixarmo-nos perder um pouco.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Só vendo



OE 2010


Passado que está um período negocial em que todos desempenharam o seu papelito, o OE tem viabilização assegurada. Com mais ou menos negociações e acordos, jeitos ou cedências, a tendência dos últimos 9 governos minoritários que viram sempre os seus orçamentos aprovados mantém-se com a abstenção da direita. Bem podem agora o BE, PCP e afins votar contra que o OE passa.

Como já seria de esperar este foi o orçamento possível, o do tem que ser. Tal como nos outros exemplos minoritários, também este OE passa sob uma aura de tentativa de chantagem [pressão, vá lá] de uns, e impulsionado pelo “interesse nacional” de outros.

O CDS-PP [até agora o parceiro quase natural dos governos minoritários] liderou o processo negocial e viabiliza o orçamento com a “abstenção construtiva”, apoiado numa “postura patriótica” e [lá está] no “interesse nacional”. Não sem deixar de manter “tudo em aberto” para a discussão na especialidade.

O PSD que começou tímido e teve a actuação da líder a ser sujeita a ataques internos vindos da ala Passos Coelho. Um mini acordo e uma abstenção do PSD sela o destino do OE 2010, sendo que no caso deste partido a abstenção é muito Ferreira Leite, é uma de “sentido de Estado”.

O PCP votará contra o orçamento de direita, o PEV faz o que o PCP manda, e o BE aponta também para o contra, até porque Louçã já veio caracterizar as negociações à direita como “manigância” [Infrm.Manha ou arte com que se fazem habilidades de mão\ Fig.Manobras ocultas com que se fazem bons negócios.]. Claro que se fosse um orçamento “à esquerda”, já seriam acordos no interesse de Portugal e não a tal manigância… enfim.

 Telenovelas políticas à parte o governo aponta reduzir o défice orçamental em 1%, para 8,3% […sim 9,3%], isto tudo sem aumento de impostos [ainda]. A dívida pública assenta confortavelmente nos 85,4 % do PIB, o crescimento é abaixo da média europeia, o desemprego ainda não estabilizou, e a culpa ainda é só da crise internacional [snif]. Umas medidas publicitárias para a banca, o retomar do plano de privatizações, o arrefecer do investimento público, e [ops] o congelamento dos salários para os funcionários públicos. E com a dívida portuguesa a ficar mais cara, fica provado que existe algo permeável à propaganda PSócratista… veja-se bem… inimaginável [ou não].


Surpresa!… aqui tens, o mesmo de sempre com uma cereja em cima...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Cavaco arrasa


Sessão solene de Abertura do Ano Judicial




Tradução:

Legislação pouco adequada, enfiada à pressão para satisfazer caprichos de partidos e movimentos partidocráticos de implantação senhorial.


Corrupção



Tradução:

Têm sido adoptadas soluções de mesinha de cabeceira para português ver, que não resolvem nada, porque na verdade não há vontade política para tal.


Tradução:

Temos de acabar com as constantes violações do segredo de justiça e com os exageros mediáticos de alguns titulares de uns órgãos que eu cá sei, isto para que a justiça não seja continuamente confundida com palhaçada.



Tradução:

Há sinais evidentes que a Justiça está politizada.



Um bom ano judicial…

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Obrigado José Coelho do PND-Madeira

Ano novo, espectáculo de antes… o deputado do PND-Madeira, José Manuel Coelho, mantém a mesma linha de actuação [“peculiar”], que o caracterizou em 2009. Política espectáculo ao mais alto nível. Desta feita chamou Almeida Santos [presidente do PS] de “vigarista”… isto porque no congresso regional do PS-Madeira, Almeida Santos decidiu qualificar Jardim de “homem economicamente honesto” e com uma “obra positiva”.


O deputado único do PND-Madeira, José Manuel Coelho, chamou hoje “vigarista” ao presidente do PS, Almeida Santos, isto qualificou Jardim de “homem economicamente honesto” e com uma “obra positiva”.




Obrigado José Manuel Coelho, por trazer um pouco de cor a uma política cinzenta.








segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ilegalidade orçamentada

Algures em Janeiro foi tornado público um acórdão do Tribunal Constitucional que considera ilegal a transferência de verbas entre os grupos parlamentares das assembleias regionais dos Açores e da Madeira e os respectivos partidos políticos [contas de 2006].


Mais uns trocados para isto e aquilo... um cartaz aqui, um comício ali… o contribuinte paga. Não é à toa que a ALRAM [Assembleia da Madeira] tem agora mais de 5 milhões destinados aos partidos, algo que foi aprovado em menos de dez minutos. Nada mau. Muita acção de rua, panfleto e coisa e tal já estão pagos.



Isto com votos a favor do PSD, abstenções do PS, BE, MPT, CDS-PP, votos contra do PCP e PND, e usufruto de todos…

Onde Cortar despesa publica..?



Aprovada que foi a impossibilidade do estado poder aumentar o seu nível de canibalismo fiscal á economia portuguesa já de si frágil e depauperada, a maioria dos deputados, representantes de 60% da população portuguesa com mais de 18 anos, deram pela primeira vez em 35 anos de Democracia um claro sinal ao governo de que esse não pode continuar a ser o caminho sob pena do parasita matar o hospedeiro, e acabar por morrer com ele.

Assim sendo temos todos - mesmo os que não votam - em nosso nome e em especial em nome do futuro daqueles que nem sequer têm ainda idade para votar, que assumir de uma vez por todas que este não é só o melhor caminho é o ÚNICO!

Caso contrário, iremos assistir a uma enxurrada de falências, como nunca se assistiu na história deste pais, nem mesmo na malfadada década de 30, do século passado.

Provada que está a incapacidade dos aparelhos partidários dos dois principais partidos atraírem pessoas sérias e competentes, facilmente percebemos que não é aqui que iremos encontrar as respostas. Terá que ser mais uma vez a sociedade civil, afinal a base e a razão da existência de um ESTADO, a tomar as rédeas do assunto, e trabalhando em REDE, começar a PESQUISAR, AGLUTINAR e PARTILHAR a informação histórica disponível sobre as contas das várias instituições estatais, e desta forma começar a apontar caminhos para que no prazo de 6 meses a 1 ano se comecem a instituir cortes nos vários orçamentos das várias instituições publicas, tentando evitar assim que os esperados CORTES ABRUPTOS & CEGOS, destruam as orgânicas não só daquelas que não funcionam nem sequer tê em razão para subsistir mas também das outras. Daquelas pouca mas boas instituições do ESTADO que todos utilizamos e que se revelam fundamentais para a nossa sobrevivência a prazo e coesão enquanto sociedade e nação.


Universidades nas áreas de ciências sócias e humanas, em especial nas área de ECONOMIA, instituições que habitualmente apresentam e divulgam estudos e diagnósticos económico sócias, chegou a hora de ir para alem do Bojador, ou seja alem dos puros diagnósticos, é necessário começar a apresentar medidas concretas, objectivas & realizáveis a prazo.


Nunca Portugal teve um nível cultural, económico, cientifico e recursos humanos tão valorosos como hoje, meios de comunicação em tempo real e absoluto, que nos permitem hoje estar ONLINE praticamente 24 horas por dia. É caso para perguntar estamos á espera de quê?


Que a nossa classe politica, nos encontre as soluções? Será que não percebemos nada que eles são parte do problema e não da solução?

Para que não me acusem de só incitar os outros sem eu próprio avançar com soluções, deixo aqui uma proposta objectiva:
1 - Redução em 10% de todos os salários e reformas de funcionários públicos acima do 2,500€ mensais, para o próximo orçamento de estado de 2010.
2 - Acordo PS/PSD, para a redução do numero de deputado apartir da próxima legislatura para os 180 deputados já permitidos pela ultima revisão constitucional. Recordo que esta medida fazia parte do programa do PSD, nas ultimas legislativas.
3 - Fim do direito de um deputado poder ser reformado com reforma por inteiro ao fim de 12 anos de exercício da função.

Por Carlos Miguel Sousa